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Brigitte Macron move acção judicial contra alegações transfóbicas

Brigitte Macron - Paris - 2017 - Cropped 

Brigitte Macron, a mulher do presidente francês Emmanuel Macron, vai iniciar um processo judicial contra rumores que circulam na Internet que difundem que ela é uma mulher transgénero e que lhe foi designado o género masculino à nascença sob o nome Jean-Michel Trogneux.

 

As alegações sobre Brigitte, de 68 anos e mãe de três filhos do seu primeiro casamento, foram inicialmente publicadas num site de extrema-direita e de oposição a Emmanuel Macron por Natacha Rey que sustentou a sua teoria com base em fotografias de família e supostos documentos de estado civil. A página de Facebook da auto-denominada “jornalista” encontra-se repleta de teorias da conspiração e ataques à “ditadura da saúde”.

Posteriormente, o artigo ganhou novo fulgor com a sua discussão num vídeo publicado no YouTube e difundido através de partilhas de um movimento que reúne grupos de negacionistas da COVID-19, grupos anti-vacinação, grupos anti-Macron, defensores de teorias da conspiração e “activistas” de extrema-direita, segundo o jornal francês Libération, sendo que a conta de Twitter que postou mais mensagens sobre esta notícia falsa é controlada por um apoiante do “Frexit”.

Esta notícia falsa remonta ao início de 2021, mas foi a partir de Outubro após a publicação do artigo sobre o “mistério de Brigitte Macron” na “Faits et documents”, revista fundada em 1996 pela figura de extrema-direita Emmanuel Ratier, que o boato viralizou. Já a hashtag #JeanMichelTrogneux apareceu pela primeira vez no Twitter a 1 de Novembro, tendo ganho maior alcance e popularidade desde o início de Dezembro chegando, inclusive, às tendências do Twitter em França.

Algumas das publicações que veiculam esta notícia falsa vêm acompanhadas de mensagens hostis ao chefe de Estado francês, porém também existem pessoas a denunciar a sua divulgação e popularização.

A teoria da conspiração surge enquanto França se prepara para as eleições presidenciais marcadas para Abril de 2022. Macron ainda não confirmou oficialmente que irá concorrer a um segundo mandato, mas é, amplamente, esperado que o faça, desse modo disputará o seu cargo com o socialista Jean-Luc Mélenchon, a candidata da direita republicana Valérie Pécresse, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen e o comentador político Éric Zemmour, candidato de extrema-direita conhecido pela sua islamofobia e xenofobia e condenado já por duas vezes por discurso de ódio, primeiro por discriminação racial em 2011 e por ódio dirigido à população muçulmana em 2018.

É de recordar que esta não é a primeira vez que o casal Macron é alvo de rumores que envolvem o seu género e orientação sexual, visto que na campanha presidencial de 2017, Macron veio negar as alegações de que seria gay.

A verdade é que a primeira-dama francesa tem sido alvo de acusações falsas na Internet e deseja defender-se do que considera ser um ataque de notícias falsas por parte da extrema-direita e o seu advogado, Jean Ennochi, confirmou à agência de notícias francesa AFP que irá iniciar um processo judicial “Ela decidiu iniciar os procedimentos legais e estão já em progresso”.

Os ataques transfóbicos a lideranças políticas não são um fenómeno novo e mulheres na política como a antiga primeira-dama norte-americana Michelle Obama, a actual vice-presidente dos Estados Unidos Kamala Harris e a primeira-ministra neozelandesa Jacinda Ardern já foram alvo destes ataques violentos.

A construção desta teoria assenta na transfobia, sexismo e idadismo a que já assistimos com a perpetuação de críticas apontadas, publicamente, à primeira-dama francesa em função da sua aparência e da diferença de 24 anos entre o casal, ao mesmo tempo que pretende disseminar a ideia de que ser trans é algo de que nos devemos envergonhar e que as outras pessoas devem recear e perspectivar como perigoso, ao invés de uma identidade que merece ser celebrada e, acima de tudo, respeitada seja em que esfera da sociedade e da nossa vida for.

 

Foto: Presidencia de la República Mexicana, CC BY 4.0, via Wikimedia Commons

Mariana Vilhena Henriques