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Dia de todas as mulheres. Mas mesmo todas.

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É dia de falar de mulheres. E também de lembrar ao mundo, e a nós próprias, que em pleno 2019 ainda estamos longe de poder viver considerar que em todos os aspectos das nossas vidas gozamos exactamente dos mesmos direitos e das mesmas oportunidades que a outra quase metade masculina com quem dividimos o planeta.

 

E para mim, enquanto mulher católica, branca, heterossexual, casada com um homem, mãe de duas crianças, educada e bem empregada, é também um dia em que os media me recordam até à exaustão – e bem – do quanto ainda me falta penar para chegar à total igualdade com os meus pares homens quanto ao usufruto dos meus direitos. Não sei se estarei ainda viva quando esse dia chegar, haja esperança e haja empenho. E haja principalmente muito cuidado na forma como educamos os nossos filhos e as nossas filhas, talvez sejam elas e eles a primeira geração a ver os frutos das lutas de hoje.

Mas hoje em particular, gostaria de mencionar um conjunto importante de outras mulheres que continuam à sombra da agenda mediática neste dia, que deveria ser tão importante para todas nós. Quero trazer para a conversa as mulheres lésbicas, bissexuais, trans, e de todas as pessoas que não se identificando com nenhum sexo em particular sentem em si algo de feminino. E há tanto para dizer sobre elas e tanto mais ainda por fazer. E tanto é o que elas têm para contar ao mundo, a todas e todos nós. É que por muita empatia que possamos ter (e a que muito falta) para com dificuldades que elas enfrentam ao longo de toda a vida (e quantas vezes são pessoas como eu a criar-lhes essas dificuldades?), nunca conseguiremos realmente saber o que é ter de enfrentar o mundo com toda a bagagem de preconceitos e discriminações adicionais que trazem às costas por causa das suas características, que lhes são pessoais e inatas, não uma escolha. Nem nunca saberemos bem o que é ser abusada por homens para “ver se corrige” ou para “aprender o que é bom para a tosse”. Nem o que é negar durante uma vida inteira a própria identidade porque nunca se teve alguém que lhe olhasse nos olhos e dissesse “está tudo bem”. Nem teremos ideia do sofrimento que, enquanto sociedade lhes causamos sempre que colocamos entraves ao direito de terem no cartão de cidadão o sexo que lhes corresponde, o de namorarem, casarem, terem filhos com quem bem entenderem sem que os profissionais implicados se recusem alegando objecções de consciência como forma de dar voltas à lei; ou quando lhes menorizamos o direito a não fazerem nada disso e permitir que esteja tudo bem, porque foi assim que quiseram; e lhes limitamos o direito de não terem de esconder quem realmente são perante a família, os amigos, os vizinhos, os colegas de trabalho. O direito de tão simplesmente serem tratadas por «mulheres» e não por outra expressão popularucha qualquer.

É dia da mulher, de todas as mulheres. Saibamos celebrá-lo por todas nós, saibamos sempre como continuar as nossas lutas. Saibamos principalmente que o mais importante de tudo é que nenhuma de nós fique de fora.

 

Artigo de Patrícia Alves Freixo, profissional de responsabilidade social corporativa e pessoa que cultiva o hábito de escrutinar rótulos