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Nem na mata se encontram histórias assim

E se tivesses de pensar duas vezes antes de ires à casa de banho?

Francisca Celestino

Vivemos numa sociedade cis-normativa, que apaga e invalida a existência de outras formas de identidade. O sistema de género binário é visto como predominante, sendo que um dos exemplos que o comprova é a inexistência de casas de banho de género neutro.

Qualquer ser humano já sentiu necessidade de utilizar um WC nas mais variadas situações, seja num centro comercial, no trabalho, na escola ou faculdade. Para a maioria, esta é uma situação trivial. Contudo, para uma pessoa transgénero, este acto poderá acarretar sentimentos de ansiedade, de insegurança e de conflito para com o seu corpo e identidade.

Os olhares inquisidores reprovam e discriminam, espelhando o sistema rígido e obsoleto, erradamente vigorante nos nossos dias. Este está de tal forma enraizado que qualquer ume que se distancie do padrão, se vê numa posição vulnerável, mesmo durante um cenário usual, como uma ida à casa de banho.

Um local comum torna-se rapidamente inóspito. Quem não se encaixar na idealização binária, poderá não ser bem-vinde num sítio que deveria contribuir para a satisfação de necessidades fisiológicas, bem como a promoção de higiene. Isso poderá colocar em causa o bem-estar do indivíduo, que acabará por não utilizar frequentemente o espaço, para evitar o constrangimento inerente ao ato.

Desse modo, o esperado seria a criação de um WC de género neutro, onde todes se pudessem sentir confortáveis e segures. A medida mais ajustada passaria pela formulação de um espaço próprio para o efeito. Em alternativa, poderia proceder-se à remoção de “placas”, estas que quando estão fixas a uma porta ou parede, possuem autoridade para restringir e catalogar seres humanos. Ninguém deverá ter a sua identidade de género invalidada. Uma pessoa não-binária poderá não se identificar estritamente com o género masculino ou feminino. Todos os processos de transição diferem entre si. Assim, também o desconforto vivenciado é singular.

O preconceito e a discriminação ainda possuem terreno fértil no nosso país. O bullying transfóbico poderia ser atenuado com o enquadramento desta proposta no meio escolar e académico. Estaríamos a dar os primeiros passos para um ambiente estudantil mais inclusivo, beneficiando a saúde física e mental de toda a comunidade lectiva. Com a aplicação da proposta não só no trabalho, mas também em contexto social, a mesma iria permitir a privacidade da identidade de género, mitigando o aparecimento de potenciais ocorrências discriminatórias associadas.

Sucintamente, a existência de uma casa de banho de género neutro constituiria o próximo objectivo lógico, enquanto sociedade contemporânea, humanista e igualitária. Nessa circunstância, resta a questão... e se tivesses de pensar duas vezes antes de ires à casa de banho?

 

Francisca Celestino