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Em cinco anos 467 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuraram apoio psicológico da Quebrar o Silêncio

Quebrar o Silêncio violência sexual

A associação Quebrar o Silêncio celebra hoje o seu 5º aniversário e para assinalar a data divulga dados relativamente ao apoio prestado.

Nos primeiros cinco anos, 467 homens e rapazes vítimas de violência sexual procuraram apoio psicológico. “A maioria dos homens que nos procura tem entre 30 e 40 anos, em média passam cerca de 20 anos a sofrer em silêncio e encontram na Quebrar o Silêncio a segurança para falar pela primeira vez das suas histórias de abuso. Constatamos que a nossa sociedade continua a não estar pronta para reconhecer e aceitar a ideia de que os homens também são vítimas de violência sexual” refere Ângelo Fernandes, fundador da única associação em Portugal que presta apoio a homens e rapazes vítimas de violências sexual.

Durante o ano de 2021, a Quebrar o Silêncio registou um total de 184 pedidos de apoio: 96 de homens e rapazes, 61 de familiares, 18 de mulheres que foram encaminhadas para outros serviços de apoio e ainda nove casos por averiguar a natureza do pedido.

 

Abusos da infância à idade adulta

Apesar de a maioria dos homens ter sido abusado na infância ou adolescência, a Quebrar o Silêncio recebe cada vez mais pedidos de homens vitimados em idade adulta. “À medida que vamos criando mais consciência de que este crime também afecta homens, vamos criando também as condições para os sobreviventes se reconhecerem enquanto vítimas e se sentirem validados para procurar apoio. Cada vez mais recebemos pedidos de apoio de homens adultos que foram abusados nos últimos 12 meses.” Quanto à queixa, não é possível denunciar esses crimes, uma vez que o prazo prescricional é de seis meses, algo que a Quebrar o Silêncio considera insuficiente.

“O actual código penal não respeita o tempo das vítimas para denunciar o crime. Para vítimas de violação e de abuso sexual, seis meses é um período demasiado curto para que possam denunciar. Muitas vezes, quando se sentem preparados para fazê-lo, já não é possível”, avança Ângelo Fernandes.

Passados cinco anos, o fundador da Quebrar o Silêncio conclui que ainda há muito por fazer. “A população em geral desconhece que 1 em cada 6 homens é vítima de violência sexual antes dos 18 anos e que estes homens são os nossos amigos, irmãos, colegas. Ou seja, fazem parte das nossas vidas, mas sofrem em silêncio sem que as pessoas mais próximas se apercebam sequer. O estigma associado a este tipo de crime continua a ser grande e este é um dos obstáculos à procura de ajuda. Muitas vezes, um homem que seja abusado sexualmente também é motivo de troça, seja em conversas entre amigos, no trabalho ou nas redes sociais, o que impede que estes homens se sintam seguros para falar das suas histórias e procurar apoio”, complementa Ângelo Fernandes.

A população em geral desconhece que 1 em cada 6 homens é vítima de violência sexual antes dos 18 anos e que estes homens são os nossos amigos, irmãos, colegas. Ou seja, fazem parte das nossas vidas, mas sofrem em silêncio sem que as pessoas mais próximas se apercebam sequer. 

 

Impacto da pandemia

A pandemia veio trazer luz a situações do passado que estavam “enterradas”. Com as medidas de isolamento e confinamento, muitos homens viram-se fechados em casa e as suas mentes foram assaltadas com memórias dos abusos que estavam esquecidos. “Para muitos homens o trabalho e atividades fora de casa ajudam a gerir o impacto traumático do abuso. São estratégias que, segundo os próprios homens, lhes permitem manterem-se ocupados e evitar que a sua mente seja assaltada por flashbacks do abuso, memórias indesejadas, pensamentos ruminativos e sentimentos dolorosos. O confinamento impediu os homens de recorrerem a estas estratégias, o que os tornou mais susceptíveis e vulneráveis. Para alguns este foi um cenário que potenciou sintomatologia depressiva e o aumento significativo de ansiedade, chegando a ficar em crise.”

 

2022: continuar a apostar na prevenção dos abusos, sensibilização e formação

Para 2022 a Quebrar o Silêncio continua a apostar na realização de diferentes eventos. “Este ano continuamos a realizar o nosso workshop para a prevenção da violência sexual contra crianças destinado a pais e mães.

Queremos regressar ao registo presencial, mas também vamos manter o registo online para chegarmos a pessoas que não podem estar fisicamente presentes nos nossos eventos,” refere Ângelo Fernandes. O primeiro workshop será realizado a 12 de Fevereiro, sábado, às 9:30. Mais informações através do email

info@quebrarosilencio.pt

2022 será ainda o ano da segunda edição do evento Desconstruir Violência Sexual. “A violência sexual é um tema complexo e repleto de mitos e crenças, pelo que é importante clarificar os conceitos base para que possamos progredir na discussão destes temas. Nesta segunda edição, o nosso objectivo continua a ser ir às bases da violência sexual e esclarecer a sua definição, mas explorando novos temas, como trauma, incesto, entre outros”. Este evento acontecerá entre Abril e Maio de 2022 e o programa será comunicado mais perto da data.