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Nem na mata se encontram histórias assim

"Estou na linha da frente e o meu consciente está acima de tudo na ajuda ao próximo"

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Sou Assistente Operacional e sou homossexual.

 

Cresci com os meus avós desde pequeno. Maravilhosos, esforçados, dedicados a mim mais do que a qualquer outra coisa na vida. Também existiram pais, tios, primos e primas e se alguma coisa toda esta gente me ensinou foi: o que era o amor e o que significa ter uma família.

Tive a sorte de não conhecer nenhuma das realidades do abuso. Enquanto criança brinquei com saltos altos e vestidos, brincava com o meu primo de namorados e muito mais, ou seja, desde de pequeno que tinha experiência de relações com meninos, mas não sabia se era isso que queria.

Desde os primeiros meses de escola que fui um exemplo de sucesso escolar – pelo menos naquilo que o nosso paradigma de escola considera sucesso – lembro-me perfeitamente de a professora me dizer que tinha sido o primeiro a ler perfeitamente na minha sala. Fiz todo o meu percurso desde o 1º ano de escolaridade até ao 12.º ano. Na adolescência decidi contar sobre a minha homossexualidade a alguns amigos – fui apoiado e protegido. Quando revelei à família, nada de novo – apoiado e protegido!

Trabalho no Serviço de Urgência do Hospital da Figueira da Foz, com uma equipa que me conhece bem. Nos intervalos do trabalho falamos das nossas vidas familiares, das dificuldades, dos filhos, das férias, da casa em obras... E acima de tudo o cuidado com os utentes.

Queira alguém explicar-me a “anomalia” na minha vida? Existe uma anomalia sim. E essa anomalia reside no facto de toda esta minha história ser pouco frequente.

Agora estou na linha da frente e o meu consciente está acima de tudo na ajuda ao próximo. No apoio daqueles que não sabendo a minha orientação sexual, me confessam os seus medos, os seus anseios, angústias. Paredes que já ouviram choros, risos, mas uma coisa elas nunca ouviram: o silêncio dos profissionais, o silêncio do não apoio, o nada!

Testes ao covid-19 são realizados todos os dias, algumas vezes sou eu que vou apoiar o médico na realização desse teste. Fardados a rigor vamos (eu e o médico) corredor fora até à sala C onde todos olham e presenciam. Acho que juntos faremos a mudança!

Faço-vos este apelo: fiquem em casa e saiam para o estritamente necessário! Para se protegerem e nós vos protegermos!

Um grande beijo! Nunca te esqueças: celebra as tuas cores independentemente de seres quem és!

 

Daniel Santos, Auxiliar Operacional