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Nem na mata se encontram histórias assim

“Foi a primeira vez que a família foi procurada para falar sobre a Gisberta”

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Foi com a música “Balada da Gisberta”, escrito por Pedro Abrunhosa, que o actor Luís Lobianco ficou a conhecer história de Gisberta. O espectáculo “Gisberta”, depois de estrear no Brasil, passou agora pelo Porto e Lisboa. O dezanove esteve à conversa com Rafael Souza-Ribeiro, autor do texto. 
 
O espectáculo acompanha Gisberta Salce Junior, desde a infância e adolescência, em São Paulo, até ao momento do seu assassinato, no Porto. “A ideia do projecto é do Luís. Ele convidou-me para escrever depois de ter descoberto a história no início de 2016. Eu já a conhecia previamente porque tenho amigos brasileiros no Porto que já fizeram trabalho, pesquisa e performances sobre a Gisberta”, comenta Rafael Souza-Ribeiro. “O que a gente conhecia era que a Gisberta era uma transexual brasileira assassinada em Portugal. Nada mais do que isso. Começámos a fazer uma pesquisa que durou cinco ou seis meses, recolhendo material de investigação, procurando pessoas que conviveram com ela. Foi um grande achado da nossa pesquisa encontrar a família da Gisberta em São Paulo. A família colaborou muito com material, fotos, cartas e ficou muito honrada. A família disse que foi a primeira vez que foi procurada para falar sobre a Gisberta”, prossegue. Mesmo no Brasil, “a história dela é desconhecida, mas isso também foi um estimulo para que a gente fizesse a peça, para dar a conhecer a Gisberta”. 
Daí que o texto que serve de base à peça resulte de uma amálgama de memórias recolhidas a partir dos depoimentos. Na peça surge uma irmã da Gisberta que resulta de testemunhos de vários familiares. “Criámos uma persona que representasse essa ideia da família. Também criamos uma personagem portuguesa que representava todos os fãs e admiradores que acompanharam a carreira dela nos anos 80. Temos a personagem da Isabel, que representa as amigas e sobreviventes da mesma época”, ilustra Rafael Souza-Ribeiro. O autor admite que no processo de recolha de histórias se deparou com “discursos que não batiam certo. Isso só confirma que a memória é uma invenção. Por isso na peça, recordamos Gisberta mais pela ausência. Todas as personagens têm saudades da Gisberta”. Já no final da última apresentação da peça em Lisboa, esta quinta-feira, Luís Lobianco prometeu voltar em breve aos palcos portugueses.
 

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