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Governo da Malásia promove aplicação de “terapia de conversão”

 

Malásia gay APP homossexual

O governo da Malásia promoveu uma aplicação de “terapia de conversão” que defende ajudar as pessoas da comunidade LGBTQI+ a “regressarem à natureza”, “nutrindo” e “salvando-as”. 

A aplicação, chamada “Hijrah Diri Homoseksualiti” (aludindo à religião islâmica), foi promovida, este mês, na rede social Twitter pelo JAKIM, o Departamento do Desenvolvimento Islâmico do país. Posteriormente, o mesmo departamento acrescentou que a aplicação contém um eBook que “se refere à experiência verídica de um homem gay que migrou durante o Ramadão para abandonar o seu comportamento homossexual” com o objectivo de provocar a mudança do “estilo de vida” da comunidade sob a perspectiva do Islão.

Pode ler-se na sua descrição como uma aplicação que existe para que as pessoas LGBTQI+ “consigam ultrapassar o problema da homossexualidade” para “alcançar o sucesso real neste mundo e no próximo.”

Entretanto, a aplicação foi removida da Google Play Store dado que viola as directrizes da plataforma que não permite aplicações “que tentem enganar quem as utiliza ou permitir comportamento desonesto, incluindo, entre outros, aplicações que são consideradas funcionalmente impossíveis.”

É de recordar que em 2017, o governo malaio tinha lançado um concurso de vídeos que oferecia um prémio em dinheiro aos vídeos que melhor explicassem como “evitar a homossexualidade”, segundo o site do Ministério da Saúde do país, com o intuito de estimular “as práticas de vida saudáveis.”

A Malásia é um país conservador, no qual as autoridades investem muitos recursos na repressão da questão LGBTQI+ dentro da comunidade muçulmana. Ainda que condenações sejam raras, as relações entre pessoas LGBTQI+ são ilegais no país e podem ser punidas com prisão, castigos corporais ou multas.

As reacções em oposição a tal acto têm-se feito ouvir e muitas pessoas descrevem-no como um desperdício de recursos num acto, manifestamente, de ódio e perseguição às pessoas da comunidade e, inclusive, há quem exija o desmantelamento da organização o mais rápido possível.

 

Mariana Vilhena Henriques