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Nem na mata se encontram histórias assim

Max The Hybrid: "Adorava poder trabalhar com Portugal"

Max the Pup

Nascido e criado no centro do Porto, dá mostras do seu trabalho como performer agora no Reino Unido.

José Monteiro tem 23 anos e dá corpo a Max The Hybrid. O dezanove.pt foi falar com ele e perceber porque está com os olhos postos no mundo.

 

 

dezanove.pt: Qual é a tua primeira lembrança sobre o facto de quereres ter uma personagem tua?

Max, The Hybrid: Foi desde que me fui introduzindo e aprendendo mais sobre a nossa comunidade, que surgiu a necessidade de me encaixar num grupo que me assemelhasse e em que me sentisse bem. Nessa altura a minha atenção estava focada na comunidade bear. Era o que eu mais apreciava. Sentia-me bem dentro porque apelava a todos os meus gostos pessoais. 

Max The Pup 3.jpg

Porém, ao mesmo tempo, tinha a noção de que eu não era nem bear, nem cub e quando se referiam a mim como um chaser, não sentia que eu fosse um! Foi só no ano passado que comecei a expandir o meu conhecimento e explorei a comunidade leather, e todas as suas subcategorias. Uma delas é a comunidade Pup! Desde que aprofundei esta possibilidade entendi que sempre fui um Pup. Tudo fazia sentido, senti que finalmente me tinha redescoberto!

Na minha segunda viagem a Londres comprei a minha primeira máscara, o que conjugado com os arneses de couro que já tinha fez nascer o Max!

Human Pup.jpgViagem a Londres.jpg

E foi assim que tudo começou, em Portugal comecei a trabalhar com amigos, fotógrafos e comecei a construir o meu repertório no Instagram.

 

O que te permites fazer com o teu Max que não fazes enquanto José? Que liberdade tens?

Tentei sair do mundo virtual para o real ainda estava no Porto, mas só consegui fazê-lo quando me mudei para Londres. Foi aí que comecei a fazer performances como gogo dancer. De festa em festa comecei a espalhar o meu nome, a construir a minha carreira.

A possibilidade de crescimento pessoal foi enorme. Com todo o esforço que investi, novas portas se foram abrindo. Neste momento o Max já não era só uma personagem. Começou um novo mundo. Um mundo em que eu não tinha a necessidade de me encaixar pois estava a viver o meu eu mais autêntico, em que eu faço o que quero como performer!

Max The Pup no Club Alert.jpg

Recon Party.jpg

 

Que reacções procuras dar a quem te vê?

Sempre gostei mais do horror e pouco e pouco fui introduzindo esse elemento para obter reacções mistas do público.

”Estava excitado ao mesmo tempo que estava aterrorizado com o que via” - foi um dos melhores comentários que recebi. Neste momento sinto-me realizado, não só validei a parte do sensual como a do horror.

Max the Puo - Evolution.jpgBeast.jpg

 

Como apresentaste o Max ao mundo? Onde é que o encontramos? E em que mundo vive o Max? Podes descrever?

Max The Pup.jpg

Sempre fui muito tímido quando adolescente, mas fui aprendendo a superar a timidez. Quando morava no Porto, como José, não era mais tímido, mas era controlado, na maneira como falava ou me comportava, pensava três vezes antes de agir. Com o desenvolvimento do Max, ele tornou se o oposto, uma criatura livre, que age perante o que está a sentir no momento, transparente e agressivo quando necessário.

 

Aprendi agora a conjugar os dois e penso ter chegado a um meio-termo de que me posso orgulhar como homem!

Max the Pup e José Monteiro.jpg

 

Neste momento não vives em Portugal. O que te levou a emigrar?

O motivo que me fez sair de Portugal foi não ver oportunidades para agarrar. Isto fez-me procurar sítios em que a oferta seria uma realidade. Mudei-me para Londres onde encontro um dos meus públicos-alvo, mas também é um sítio em que a oportunidade passa do “querer ao fazer”. Tentei apresentar o Max em Portugal, mas sabia que não era o momento certo porque ainda não há um grande número de consumidores de fetish por cá. Quando cheguei a Londres comecei a crescer realmente como artista. A ficar conhecido entre outros artistas, o que me levou a grandes oportunidades.

 

O que tens feito então profissionalmente lá fora?

Os meus momentos altos foram, sem dúvida, participar na London Fashion Week em que tanto desfilei, como fotografei. Puder trabalhar com grandes artistas internacionais, nomes como Vander Van Odd, Detox e James Majesty e estar lado a lado com muitos outros, como IssheHungry, Shea Coulee e Aquaria.

Fetish.jpgE, claro, a nível nacional ter um grupo forte de pessoas que sinto como família de artistas também me ajuda!

 

 

Quando é que pensas que o mercado português está pronto e se pode abrir à tua personagem?

Como português adorava poder trabalhar com Portugal, tanto na moda, como em performances, mas na minha mente tenho a imagem que isso não será possível tão cedo. As mentes fechadas vão-se abrir com o tempo, mas ainda há muito trabalho pela frente (e estou 100% dentro dessa batalha, a quem me der um espaço para o fazer). Gostava que 2019 me provasse o contrário deste pensamento!

Max The Pup 4.jpg

 

Qual será a evolução da tua personagem? Que expectivas tens para o futuro?

Em 2018 construí algo de que me posso orgulhar. Não só fiz auto-descobertas como pessoa, mas como artista também – o que me faz agora querer evoluir o meu nível de performance, de gogo para drag. Quero poder entrar mais fundo no terror, no horror. Tanto visualmente como psicologicamente! A nível visual quero usar o verdadeiro significado de híbrido e poder metamorfosear-me em todo o tipo de criaturas e monstros!

Max The Pup Evolution 3.jpgMax the Puo - Evolution 2.jpg

 

Entrevista de Paulo Monteiro