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“Não foi amor à primeira vista, nasceu de uma grande amizade”

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Lú (28 anos) e Ana (38 anos) são autoras do Dela e Dela, um blogue onde partilham as suas experiências, vivências e desafios da vida a duas. Vivem juntas, na Costa da Caparica, terra natal da Ana. No âmbito do Mês da Visibilidade Lésbica, pedimos que nos falassem um pouco sobre elas e o seu projecto.

 

O que vos levou a querer partilhar a vossa história através de um blogue?

Foram vários os motivos que nos levaram a criar o Dela e Dela. Um deles foi vermos que as pessoas que nos eram mais chegadas colocaram-nos numa bolha de amor, no paraíso dos casais, quase como um filme de cinema que tem sempre um final feliz ou até mesmo "é como duas melhores amigas a partilharem casa", quando isso não corresponde à realidade.

 

Por que dizem isso?

Somos como todos os outros casais, e pessoas, que têm problemas, desafios, e claro que também temos a parte boa. Se poderíamos ter-nos sentado no café com essas pessoas e explicar, até poderíamos, mas não era a mesma coisa. E como a maioria, também consumimos diariamente o que é produzido nas redes sociais, e seguimos também casais LGBT tanto portugueses como estrangeiros, de alguma forma sentimos que existia espaço para nós darmos o nosso contributo.

 

A criação do blogue foi uma decisão imediata?

Demoramos algum tempo até avançar com o blogue e restantes redes, principalmente por medo da exposição e receio do que poderia advir disso. Neste momento o balanço é muito positivo pois temos conhecido pessoas que nos têm mostrado outras realidades do que é viver como LGBT em várias partes de Portugal e até mesmo no mundo e o melhor disto tudo é que temos feito amigxs e temos muito orgulho dos maravilhoses que nos acompanham no Dela e Dela. 

 

Querem falar um pouco do vosso percurso enquanto casal?

Conhecemo-nos em 2011, na faculdade, logo no primeiro encontro sentimos uma ligação. Não, não foi amor à primeira vista, mas foi um amor que nasceu de uma grande amizade. Bem a verdade é que eu, Lú, tive de penar um bocadinho. Depois o primeiro beijo deu-se e daí a vivermos juntas, nem demorou uma semana, tinha tudo para não dar certo e até haviam apostas que não ia resultar, mas a verdade é que 8 anos se passaram e cá continuamos. Acho que no início foi um choque para muitos, porque nunca pensaram que duas pessoas com 10 anos de idade de diferença e com tantas diferenças nos gostos e até na forma de pensar fossem se juntar, e porque nunca andámos com um autocolante na testa com a nossa orientação sexual. Sempre fomos transparentes na relação que temos, ou seja, nunca mascarámos o que éramos na vida uma da outra.

 

E a reacção das vossas famílias?

Tivemos que gerir de uma forma diferente em relação às nossas famílias. Cada uma teve um tempo diferente para compreender e de adaptar-se a uma realidade que não era aquela que eles tinham imaginado para nós. Houve a fase em que éramos as amigas, e éramos apresentadas dessa forma, houve a fase do porquê e do por que é que não poderíamos ser como as outras mulheres e fazer a nossa vida com um homem, e agora existe a fase do respeitamos a vossa relação e estamos aqui para vos apoiar. Foi um processo longo e, sem dúvida, doloroso, mas ver e sentir que o que eram duas famílias é agora uma e que o que prevalece é o respeito e a união, é sem dúvida para nós gratificante e deixa-nos muito felizes.

 

Este é o mês da visibilidade lésbica. Acham que há representatividade feminina na comunidade LGBT? Qual é o caminho?

Existe realmente um longo caminho a percorrer no que diz respeito ao reconhecimento da mulher. Muitos passos importantes já foram dados e isso é importante não esquecer da mesma forma que não podemos baixar os braços, porque é importante continuar a lutar pelo respeito independentemente do sexo e da orientação sexual. Somos pessoas únicas e a nossa singularidade deve ser respeitada e não utilizada como arma de arremesso no sentido da desvalorização. Parte de nós todos dar voz à representatividade e visibilidade feminina, dentro e fora da comunidade LGBT.


Podem acompanhar as suas histórias em https://delaedelablog.wordpress.com/ ou no Instagram delaedela.pt.

 

Sofia Seno