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Paulo Gustavo: o arco-íris em pessoa

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O nome Paulo Gustavo pode até não ser tão conhecido como uma daquelas estrelas promovidas pela máquina de Hollywood. Talento não lhe faltava, garanto-vos.

 

O Paulo era um conceituado actor brasileiro, humorista, produtor, muito acarinhado pelo público. Houve personagens que ganharam vida graças ao Paulo. Da Dona Hermínia, em 'A minha mãe é uma peça', à 'A Senhora dos Absurdos' ou até mesmo o '220 Volts', o humorista fazia-me soltar uma gargalhada como ninguém. 

Perdia-me, pela madrugada, ao assistir aos vídeos das séries e sucessos de bilheteiras, que, ainda que ilegal, encontrava disponíveis na internet.

O Paulo era luz, era dia, era gargalhada. Era também cor e alegria.

Lutava contra o preconceito, era inimigo da desigualdade, detestava a injustiça. Só desejava viver. E fez de tudo para ser feliz.

Casou com o dermatologista Thales Breta, recorreram a uma barriga de aluguer para concretizarem o desejo de serem pais. E foram, de duas crianças.

O guião, escrito para ser um conto de fadas, tinha tudo para ser perfeito. Não fosse a covid-19. Esta maldita doença (ainda) com sabor a morte. 

Em Março, tive conhecimento de que o Paulo juntava-se ao triste número dos infectados pela covid-19.

Na altura, pensei mesmo que seria apenas um percalço e que, rapidamente, iria contornar este problema e voltar, de novo, a rir-se e a fazer-nos rir com as suas personagens.

Cada dia que o Paulo conseguia respirar, era mais um dia vitorioso; mas, quis o destino que esta quarta-feira (4 de Maio de 2021) o meu corpo gelasse ao saber que uma das minhas inspirações de sempre tinha partido. Vítima da covid.

Questionei-me: Como assim, o Paulo ser mais uma das vítimas inocentes desta guerra, cujo inimigo está longe de ser combatido.

Fui à procura e encontrei este número: 

3 milhões 231 mil e 397. São os números de mortes provocadas pela Covid. Mais de 3 mil por dia no Brasil.

E os números ganham vida quando damos nome aos números. Pensemos que por detrás dos números (tão crus quanto gelados) há maridos, mulheres, pais, mães, filhos, amigos que tombaram aos pés deste monstro que é a covid. Lembrem-se também que há almas que nunca mais nos vão brindar com o riso (ou choro), o desabafo, o beijo, o abraço, ou simplesmente, o ombro amigo. Pensemos também que neste número há um nome dentro: Paulo Gustavo.

Pensemos que por detrás dos números (tão crus quanto gelados) há maridos, mulheres, pais, mães, filhos, amigos que tombaram aos pés deste monstro que é a covid.

E talvez a nossa postura mude, sempre que olharmos para aqueles que nos são mais queridos e pensemos: e se me faltasses? E se te fosses embora sem uma despedida?

Aos 42 anos, o Paulo Gustavo encerrou o último capítulo de uma história sem final feliz. Era bom que a literatura nos ensinasse que nem todas as histórias acabam com: "e viveram felizes para sempre".

Para mim, a história do Paulo acaba com um sorriso rasgado, com a gargalhada farta, com luz e sobretudo com todas as cores do arco-íris. Sim, porque o Paulo Gustavo, aos meus olhos, continua a ser o Arco-íris em pessoa.

 

Filipe Alexandre Gonçalves  

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