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Quem é David Miranda, o deputado que substitui Jean Wyllys?

David Miranda e Jean Wyllys.jpg

Jean Wyllys, o deputado brasileiro que na quinta-feira passada comunicou no jornal "Folha de S. Paulo" que vai sair do seu país, depois de receber várias ameaças de morte por ser gay, será substituído pelo deputado David Miranda.

 

David Miranda tem 33 anos de idade, é formado em jornalismo, activista LGBT, Vereador do Rio de Janeiro e vai assumir vaga deixada por Jean Wyllys na Câmara dos Deputados.

Deputado desde 2016, David Miranda é casado há 13 anos com o jornalista americano Glenn Greenwald (que ganhou o prémio Pulitzer de Jornalismo em 2014, depois de revelar o esquema de espionagem dos Estados Unidos descoberto por Edward Snowden). Ambos são pais de duas crianças: João e Jonathan. David nunca conheceu o pai e aos 5 anos ficou órfão de mãe.

David-Miranda.jpg

Ambos do PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) Wyllys e Miranda são assumidamente gays e eram ambos amigos da vereadora Marielle Franco, também do PSOL, assassinada há quase um ano. Depois da morte de Marielle, David Miranda usou as redes sociais para a homenagear: “Marielle é semente! Marielle é gigante! Marielle está presente!”.

Jean Wyllys recebeu dezenas de ameaças de morte pela internet, sobretudo depois da morte de Marielle Franco. Esta semana site O Globo revelou algumas das ameaças recebidas pelo deputado: “Vou te matar com explosivos”, “já pensou em ver seus familiares estuprados e sem cabeça?”, “vou quebrar seu pescoço”, “aquelas câmaras de segurança que você colocou não fazem diferença”. O próprio Jean Wyllys afirma que o governo brasileiro foi omisso com relação a essas ameaças e ignorou um relatório da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos, que reconhecia que ele estava sob “risco iminente de morte”. 

Recorde-se que em Abril de 2016, aquando da votação do 'impeachment' de Dilma Rousseff, na altura Presidente do Brasil, Wyllys cuspiu na cara de Jair Bolsonaro.

Com a renúncia agora anunciada, Wyllys não irá tomar posse na próxima sexta-feira, daquele que seria o seu terceiro mandato. O primeiro deputado assumidamente gay do Brasil já se encontra fora do território brasileiro e tem recebido manifestações de solidariedade como, por exemplo, do ex-Presidente do Uruguai, Pepe Mujica. "Quando ele soube que eu estava a ser ameaçado de morte, disse-me: 'Rapaz, cuide-se. Os mártires não são heróis'. E é isso, eu não me quero sacrificar".

Quando a notícia do exílio de Jean Wyllys veio a público, o Presidente Jair Bolsonaro publicou um tweet que foi interpretado como uma comemoração pelo facto do deputado deixar o país. O substituto de Wyllys, David Miranda, não deixou o tweet do Presidente brasileiro sem resposta:

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