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Ser queer e lutar contra o conservadorismo

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Uma reflexão sobre os encarregados de educação que não deixam os seus educandos evoluírem.

Ser queer é uma luta constante, uma luta que só as pessoas da comunidade vivem intensamente, um sentimento único que nos empodera e, no seu sentido mais lato, uma palavra que agrega uma ampla comunidade de identidades não-cisheteronormativas e uma palavra que nós tentamos reescrever o seu sentido outrora pejorativo e discriminatório.

Actualmente, queer é uma palavra inclusiva e não exclui, não ofende, não desrespeita, não violenta nem mata quem faz parte da comunidade, mas há quem fora dela tente constantemente relembrar o seu passado e tentar alterar o seu futuro.

Actualmente, queer é uma palavra inclusiva e não exclui, não ofende, não desrespeita, não violenta nem mata quem faz parte da comunidade, mas há quem fora dela tente constantemente relembrar o seu passado e tentar alterar o seu futuro.

Viver num país de desinformação e de preconceito (dois aspectos que ainda vivem intrínsecos nas vidas de uma grande porção da população em Portugal, mas não na sua totalidade) em volta da questão queer é criar o caos e impulsionar o desrespeito, a violência e a discriminação desmedidos.

O respeito, a compaixão e a coexistência entre indivíduos de diferentes sexualidades e diferentes expressões e identidades de género tem de ser ensinados em casa e em espaço escolar desde o início e não podemos dar-nos ao luxo de continuar a ignorar a questão e a fugir sempre que o assunto vêm à tona.

É certo que os tutores precisam de ser educados sobre a temática queer, mas o ensino também precisa de ter uma resposta (por mais diminuta que seja) às questões que surjam por parte dos estudantes. O ensino urge em formar professores com capacidade e iniciativa para instruir sobre este tema, o ensino urge em transmitir conhecimento queer aos estudantes, o ensino urge em ser inclusivo, o ensino urge em contar a história da nossa comunidade.

Nós somos livros, nós somos histórias, nós somos sobreviventes, nós somos pessoas que querem se sentir ouvidas, representadas e que não querem tudo por que nós e os nossos antecedentes lutaram ocultado às crianças e jovens que, de qualquer uma das maneiras, irão tomar conhecimento sobre nós e formar a sua própria posição.

Nós somos livros, nós somos histórias, nós somos sobreviventes, nós somos pessoas que querem se sentir ouvidas, representadas e que não querem tudo por que nós e os nossos antecedentes lutaram ocultado às crianças e jovens que, de qualquer uma das maneiras, irão tomar conhecimento sobre nós e formar a sua própria posição.

Os encarregados de educação conservadores continuam a dizer que, como ativistas progressistas que somos, queremos “doutrinar as crianças com a agenda gay e confundi-las”. Tenho a dizer-vos que não provoca confusão nelas, pode provocar alguma resistência por ser algo estranho com que estão a ter contacto (algumas pela primeira vez), mas, acima de tudo, provoca curiosidade e vontade de conhecer mais, porque, na sua maioria, as crianças são puras e são fracas de rancores e pudores, coisas que, por vezes, nos fazem muita falta.

As tão polémicas aulas de “Cidadania e Desenvolvimento” não vão mexer com a cabeça dos vossos educandos, vão ajudá-los a compreender certos temas que ouvem falar e não conhecem. Uma criança pode ter conhecimento sobre algo e isso não se aplicar à sua realidade, mas se for algo que se venha a demarcar na sua vida futura, será muito mais fácil para ela lidar com os seus sentimentos e aceitar-se da forma que é.

Não queremos doutrinação, queremos educação nas escolas; para doutrinar, já chegou o tempo do senhor ditador.

Para concluir, deixo uma pergunta final aos encarregados de educação conservadores: se vocês não quiseram evoluir, porque é que não deixam os vossos educandos evoluírem e, acima de tudo, sentirem-se livres e felizes?

 

Miguel Máximo, Estudante e Activista