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Q: Os vencedores do Queer Lisboa 14

Foram esta noite conhecidos os vencedores do Queer Lisboa 14 na Cerimónia de Encerramento que encheu o Cinema São Jorge. A Sétima Arte argentina arrecadou três galardões Melhor Filme (El Último Verano de la Boyita), Melhor Actor (Lucas Ferraro em Plano B) e Melhor Actriz (Guadalupe Alonso, Mirella PascoalNicolas Treise em ex aequo no filme El Último Verano de la Boyita).

O júri da Secção Competitiva para a Melhor Longa-Metragem, formado pela actriz Rita Blanco, o escritor José Luís Peixoto, Michèle Philibert, directora artística e programadora, pelo jornalista e crítico Thomas Abeltshauser e pelo jornalista e realizador Gorka Cornejo escolheu para filme vencedor El Último Verano de la Boyita, de Julia Solomonoff (Argentina). Segundo o Júri "através da história de amizade entre uma jovem curiosa e um hermafrodita, o filme oferece-nos um exemplo de empatia e solidariedade, combinando beleza e crueldade. Evitando julgamentos, clichés e superficialidade, frequentemente presentes em filmes convencionais com crianças." A película vencedora receberá um prémio, no valor de 1.000 euros, patrocínio da Absolut Vodka.

 

O filme Open recebeu uma Menção Honrosa atribuida pelo júri pela "sua autêntica, ousada e comovente representação da vida e amor queer, desafiando os conceitos de género e identidade."

 

O prémio para Melhor Actor foi para Lucas Ferraro pela sua performance em Plan B, de Marco Berger. "O actor, de modo convincente e cativante, guia-nos através das suas inseguranças enquanto explora a sua sexualidade e questiona as suas próprias definições de masculinidade." Em relação ao prémio para a Melhor Actriz o Júri decidiu premiar as três performances femininas do filme El Último Verano de la Boyita, de Julia Solomonoff: Guadalupe Alonso, Mirella Pascoal e também Nicolas Treise. Esta decisão especial baseia-se na "leveza com que encarnam os três complexos papéis. Enquanto Guadalupe nos encanta e contagia com o seu generoso olhar sobre a vida, Mirella constrói com mestria uma abordagem subtil e complexa ao que é ser mãe de uma criança queer. Nicolas Treise tem uma representação queer e sincera, ao mesmo tempo contida e comovente."

 

O júri formado pela realizadora Veronika Minder, em conjunto com Rui Pedro Tendinha, jornalista de cinema, e Adília Godinho, da RTP, escolheu o documentário Angrarna - Regretters para o filme vencedor da Secção Competitiva para o Melhor Documentário. Realizado por Marcus Lindeen (Suécia), Regretters é, para o Júri, "pela forma como cruza o teatro com a vida, sempre com um cuidado cinematográfico notável" um filme que nos desvenda "duas histórias surpreendentes que levantam questões de identidade/género, e a própria existência". Mikael e Orlando encontram-se pela primeira vez para falarem das suas vidas, com mais de 60 anos de idade, e também acerca do seu maior remorso: a mudança de sexo para se tornarem mulheres. O prémio é de 3000 euros, atribuído pela  RTP2, a televisão oficial do evento, pela compra dos direitos de exibição do filme.

 

A Menção Especial do Júri vai para I Shot My Love, realizado por Tomer Heymann (Israel), merecedor de destaque segundo o júri "pela bravura de uma exposição íntima inédita". O Júri acrescenta que este documentário "redefine as fronteiras da intimidade em cinema".

 

O vencedor da Secção Competitiva para a Melhor Curta-Metragem, escolhido pelo público, foi a curta-metragem Toiletzone, realizada por Didier Blasco (França), que relata, sob o olhar de Théo, a estranha realidade vivida num WC de um grande centro comercial. O prémio, no valor de 500 euros, é patrocinado pela Manhunt.

 

A data da 15ª edição do Queer Lisboa irá decorrer de 16 a 24 de Setembro de 2011.

 

Trailer de El Último Verano De La Boyita

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Fotos da sessão de encerramento aqui.

Q: Um doc-romance a três entre Israel e Alemanha (vídeo)

 

O documentário “I Shot My Love” (2010, Tomer Heymann) conta uma história pessoal que é também universal, ao revelar-nos a relação amorosa e triangular entre o realizador, Tomer, o seu namorado alemão, Andreas Merk, e a sua intensamente israelita mãe, Noa Heymann.

O filme fala dos regressos a casa. Um regresso ao nosso lar - sim, o lar deles também é o nosso. É um regresso ao lar com vários significados. O nosso lar é onde nascemos ou é onde vivemos? Em 2006, Tomer e a sua mãe regressam à Alemanha onde os seus antepassados tiveram uma vida da qual fugiram durante o holocausto, para a apresentação do documentário “Paper Dolls” no Festival de Cinema de Berlim. Nessa viagem Tomer conhece Andreas, um affair de apenas 48 horas, que irá mudar a vida de todos. Mais tarde Andreas decide mudar-se com o namorado para Israel. Assim ambos regressam à Israel natal dos pais do realizador.

Será possível filmar o amor em forma de documentário? O realizador Tomer Heymann tenta através deste filme transmitir que é possível. É perfeitamente possível filmar todas as formas de amor de todas as formas possíveis. As histórias de amor são eternas, como os diamantes. Este amor de mãe e este amor de filho e este amor de casal é tão belo e maravilhoso como deveriam ser todos os amores.

A clara diferença entre dois mundos tão distintos, Israel e Alemanha. O eterno conflito israelo-palestiniano. A heróica história de sobrevivência de Noa. São a base deste doc-romance nada melodramático, apenas real e realista. As diferenças e as semelhanças são sempre evidenciadas de forma simples e crua. É este remexer na ferida que os apazigua nos momentos mais difíceis. É este apontar de dedo que intensifica o seu amor. São estes sentimentos que despoletam a discussão. Entretanto, os três protagonistas deste amor já regressaram novamente à Alemanha para a apresentação de “I Shot My Love” no Festival de Cinema de Berlim deste ano.

Num trailer muito inspirado com a música “Coming Home”, da israelita Hadara Levin-Areddy vemos algumas imagens filmadas no Metro de Lisboa.

O filme será apresentado hoje, dia 23, às 21h30 na sala 3, o realizador estará presente nesta sessão. Voltará a ser apresentado no último dia do Queer Lisboa, sábado, 25, às 19h15 na mesma sala.

 

Luís Veríssimo

 

 

 

 

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