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A palavra “mariconço” é um insulto ou pode ser usada no quotidiano? (com vídeo)

 

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"Quando digo às minhas filhas que não sejam maricas, não estou a pedir-lhes que não sejam homossexuais masculinos. Elas sabem, aliás, que, se quiserem ser homossexuais masculinos, o pai não se opõe." Ricardo Araújo Pereira voltou ao significado das palavras “mariconço” e “maricas”, numa crónica publicada na edição desta semana da revista Visão.

 

O debate tem alimentado as redes sociais nos últimos dias após uma entrevista do humorista ao jornal I, há uma semana, onde falava sobre a questão do politicamente correcto e a dificuldade de usar, actualmente, certos termos em contexto de humor. “Os pessoas hoje tendem a interpretar as palavras literalmente. Assim como acham que o Cartão do Cidadão é só homens. Fazem interpretações literais”, justificou Ricardo Araújo Pereira, ao mesmo tempo de considerava difícil voltar a fazer nos dias de hoje um sketch sobre os aspectos físicos como o do “coxo”, “marreco” e “mariconço”, que criou nos primeiros anos do Gato Fedorento, na SIC Radical.

As críticas têm surgido de vários quadrantes. Em tom irónico, Fernanda Câncio escreveu no Diário de Notícias que “urge criar um movimento para a recuperação de termos tão lindos como 'escarumba', 'judiaria' e 'ciganagem'”. O ex-presidente da ILGA Portugal, Paulo Côrte-Real, também fez o reparo às palavras do humorista no blogue Jugular: “Conhecendo a dinâmica dos crimes de ódio como conheço, também conheço a sua ligação aos insultos. É também por isso que para mim é importante que os insultos sejam controlados, há liberdades fundamentais em causa. E que as pessoas percebam o impacto que esses insultos têm, para que possam controlá-los”. Como Ricardo Araújo Pereira tem sido o apresentador dos Prémios Arco-Íris, promovidos anualmente pela associação LGBT, Côrte-Real aproveita para deixar o recado: “Espero que este ano nos Prémios, supondo que a tua adesão se mantenha, haja boas piadas do Ricardo Araújo Pereira não sobre o Arroja ou sobre o Trump, mas sobre o Ricardo Araújo Pereira.”

Também o escritor e crítico literário Eduardo Pitta questionou no blogue Da Literatura: “Ricardo Araújo Pereira lamenta não poder achincalhar os mariconços. Eu não sei o que é um mariconço. Será uma bicha de call center? Um entertainer? Lamento pelo Ricardo, homem culto e inteligente, de quem gosto, mas assim não vamos lá. A sorte dele é ser o Ricardo, caso contrário teríamos meio mundo a dizer dele o que Mafoma não disse do toucinho”. No mesmo post Eduardo Pitta relembra que em inglês o termo queer é usado com orgulho. “E não há forma de traduzir queer senão por bicha”, aponta.

Já o director-executivo do jornal I, Vítor Raínho, apontou a mira à esquerda e à vontade de legislar: "Para o politicamente correcto para o qual a sociedade portuguesa tem caminhado, sob a batuta da esquerda bem pensante, simples provocações passaram a ter um significado maléfico."

 

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