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"Estar de mãos dadas no Trumps é diferente de estar de mãos dadas num estádio de futebol"

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PM e Rui Rebuçado têm 35 e 43 anos, respectivamente. Acham-se o super-sexy um do outro há sete anos, desde aquela noite no Bairro Alto. Vivem e trabalham na Grande Lisboa. Explicam ao dezanove.pt que nem toda a gente aprecia ou se sente confortável com manifestações públicas de afecto.

 

dezanove: Como e há quanto tempo se conheceram? Assinalam de alguma forma a data desse aniversário?  

RR e PM: Conhecemo-nos há sete anos no Bairro Alto através de amigos comuns. Habitualmente trocámos presentes no nosso aniversário.

 

O que vos fez apaixonar?   

PM: O sorriso dele fez o primeiro clique. O resto veio com o tempo mas o sentido de humor é claramente o que mais me cativa.
RR: A ternura e a calma dele.

 

A falta de visibilidade pública na vossa relação é forçada ou uma opção vossa?

RR e PM: A falta de visibilidade pública na nossa relação não é forçada, não é imposta por ninguém, mas depende muito do ambiente. Estar de mãos dadas no Trumps é diferente de estar de mãos dadas num estádio de futebol. Acaba por ser uma opção nossa, enquanto casal, e é comum a muitos casais (incluindo os heteros). Nem toda a gente aprecia ou se sente confortável a fazer aquilo a que os americanos chamam as PDA (public displays of affection).

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Como é a vossa relação com familiares e amigos?

PM: Os meus pais sabem mas não aceitam bem a relação, é uma espécie de tabu. Os amigos sabem e está tudo bem.

RR: Não contei aos meus pais e apenas alguns amigos sabem.

 

Algum familiar vosso insiste para arranjarem namorada?

PM: Há sempre uma tia que menciona o assunto de tempos a tempos mas basta não dar importância e o assunto morre por si.

RR: Já não acontece tanto, mas, quando era mais novo, acontecia.

 

Quando o contexto é o local de trabalho como abordam a vossa relação? Omitem ou mentem?

PM: No meu caso não é tema. A vida pessoal não se mistura com trabalho independentemente de ser hetero ou gay.

RR: Omito, mas não minto, ou seja, não invento uma namorada ou namoradas.

 

Como vêem a vossa relação daqui a um ano?

PM e RR: O futuro é sempre uma incógnita, mas certamente juntos e felizes.

 

Já foram alvo de algum episódio de homofobia? Como lidaram com isso?  

PM: Já ouvi insultos, uma vez, num bar do Chiado mas foi há muito tempo e não passaram de um momento cobarde de alguém que entrou, gritou e fugiu.

RR: Como par, nunca ouvimos, mas não nos expomos muito. Excepto em Madrid, onde andámos de mãos dadas (risos).

 

Na vossa opinião o que faz falta a Portugal no que respeita à igualdade para pessoas LGBT?  

PM: Falta mudar muitas mentalidades. E claro há o tema da adopção e co-adopção que, mais do que um tema de igualdade dos adultos, é uma questão de protecção e de direitos das crianças.

RR: Falta cumprir a lei de educação sexual em meio escolar, que estava consagrada na legislação desde 1984 (o direito de todas as crianças à educação sexual, garantido pelo Estado) e que teve de esperar pela maioria absoluta do Engenheiro Sócrates (e pela Drª. Maria de Lurdes Rodrigues) para se tornar uma realidade (no papel, ainda não está a ser cumprida, há muitas resistências por parte das escolas e professores). Não se esqueçam que, antes disso, o que faltou foi vontade política, nomeadamente das duas maiorias absolutas do actual Presidente da República.

 

Como celebraram o Dia d@s Namorad@s? 

PM e RR: Simplesmente não celebramos. O nosso aniversário é demasiado próximo e muito mais importante.

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