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"O que mais me chocou foi o que fizeram com uma pessoa"

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Nunca conheci a Gisberta pessoalmente. Sabia quem era de alguns locais que frequentávamos em comum na época, mas nada mais do que isso.

Quando a sua morte foi notícia na comunicação social, tive algumas pessoas chegadas que pensavam que era eu (nas primeiras notícias não apareceram nomes nem fotos), porque na altura ainda se confundia muito os conceitos de travesti, transformismo e transexualidade. Fiquei chocado com tamanha confusão na cabeça das pessoas, mas o que mais me chocou foi o que fizeram com uma pessoa. Sim, porque somos todos pessoas independentemente do sexo, do género ou apenas duma simples cor de cabelo ou de olhos.

Passaram-se 10 anos da sua morte. E continua a ser tão importante quanto aquela altura percebermos que somos todos pessoas. Somos todos ser humanos. E que a transexualidade não é uma aberração nem uma doença; é uma condição física e humana que pode - e deve - ser ultrapassada com acompanhamento e procedimentos adequados, de forma a que esse ser humano possa viver a vida como cada um de nós: livre, sem medo e sem peso dos olhos dos que nos criticam a cada momento que passamos por eles.

Não é fácil deixar uma mensagem de apoio quando estas situações acontecem, mas creio que a mudança acontece quando essa mudança acontece primeiramente em nos próprios. Cabe-nos a nós educarmo-nos para podermos educar os que nos rodeiam. E quando falo em educação, falo-o num sentido de ensinar, aprender e respeitar-nos para podemos fazer de seguida o mesmo aos outros.

 

Vítor / Natasha Semmynova

Drag Queen & Live Performer

 

Foto original: António Martinó