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5 textos para conhecer no Queerquivo

 

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O projecto digital Queerquivo, dirigido por André Murraças, deu origem a um livro que foi apresentado este Domingo no Queer Lisboa. Com tiragem limitada, trata-se de uma edição bilingue que pode ser adquirido online no site e Facebook oficiais.

São quase cinquenta os textos escritos por diversas personalidades sobre pessoas como Reinaldo Ferreira, João Pedro Rodrigues e João Rui Guerra da Mata, Gisberta, António Variações, Amália Rodrigues, Filipe La Féria, Valentim de Barros, António Botto, Lydia Barloff, ou mesmo sobre eventos como a telenovela e a Eurovisão. Na sessão de apresentação, Lila Fadista, Gonçalo Cota, Bruno Maia, Carlos Reis e Ricardo Vieira Lisboa tiveram a oportunidade de ler os textos que escreveram. Aproveitamos, por isso, para partilhar alguns excertos desses testemunhos.

 

Lila Fadista sobre Amália: “A minha feminilidade de menino inteligente e sensível era como um mau agouro para o que haveria de vir. Mais tarde, Amália integrou o grupo de musas que me ajudaram a resgatar a feminilidade desse lugar de tragédia e vergonha, e a encontrar força na sua expressão. E a voz… uma voz capaz de tudo, ao mesmo tempo negra, sensual, vulnerável e firme.”

 

Gonçalo Cota sobre José Castelo Branco: “A sua visibilidade foi fundamental (como figura que povoava e povoa a reality TV e o imaginário dos muitos que a assistiam, pouco familiarizados à excentricidade e à subversão na televisão portuguesa) para mostrar a multiplicidade de arranjos identitários – à primeira vista repulsivos, confusos, não concordantes; para ser o epicentro de um dos primeiros terramotos ao meu entendimento do real, de como se pode projectar o corpo e o desejo de formas diferentes a que estava habituado, mas que percebo agora terem ajudado a fervilhar a vontade de os viver e experimentar; de como sobreviver às lógicas de gozo e chacota sem esmorecer ou diminuir (a primeira vez que ouvi a palavra bicha ser invertida do seu sentido negativo e contribuir para uma postura algo politizada de autodeterminação foi dele) de uma sociedade excessivamente vigilante do não-normativo.”

 

Bruno Maia sobre Gisberta: “Gisberta mostrou-me algo além do evidente. “Bando de rapazes” do Porto, uma descrição que me teria sido feita à medida poucos anos antes. Quando eu próprio, sem saber quase nada de identidades e orientações, transgredia tudo o que podia porque… estava no bando! Por efémeros e patologicamente honestos momentos, a Gisberta conseguiu instalar em mim a odiosa dúvida: poderia ter sido eu a fazer aquilo?”

 

Carlos Reis sobre António Variações: “O António Variações tinha morrido. Sei que devo ter feito um qualquer desabafo de tristeza. Já não me lembro bem. Mas recordo-me ainda como se fosse agora do que ouvi de seguida: uma piada inenarrável a escarnecer da morte de um maricas. E um início de conversa cruel entre outros circunstantes acerca da sua misteriosa doença. E, para minha vergonha, eu fingi que achei piada.”

  

Ricardo Vieira Lisboa sobre Reinaldo Ferreira: “Além dos interesses específicos destes filmes mudos na história do cinema feito em Portugal (a apropriação de géneros cinematográficos estrangeiros, como o filme de detectives ou o burlesco, e o facto de quebrar formalmente com muito do que era a produção tradicional do cinema mudo desses tempos), Táxi e Rita são marcos fundamentais na história da representação de personagens LGBT no cinema português. São filmes bastante ricos em leituras que revelam as mudanças dos costumes da sociedade portuguesa na sua década.”

 

 

O dezanove tem um exemplar do livro para oferecer aos seus leitores. Para tal, envia até ao fim do dia 22 de Setembro para o e-mail dezanovept@gmail o teu nome, morada e a resposta à seguinte questão: Quem escreveu sobre José Castelo Branco? O vencedor será escolhido por sorteio e irá receber o exemplar via CTT.