opinião

József Szájer: Um conto moral exemplar



A história é picante mas não deixa de ser um conto moral exemplar.

Na Bélgica, no centro de Bruxelas, no primeiro andar de um bar gay na Rue des Pierres, quase em frente a uma esquadra de polícia, ocorreu um “gang bang” (para quem não sabe é uma orgia gay). Não terá sido o primeiro, nem será seguramente o último. Boys will be boys… Mas desta vez a polícia belga interveio e os participantes foram detidos, identificados e multados, por desobediência às medidas impostas pelo combate à pandemia, e que determinam a interdição, não só de ajuntamentos deste tipo, mas de todos os tipos de ajuntamentos. Vestidos e despidos.

Os pormenores são engraçados: a polícia encontrou 25 homens, todos nus, alguns deles ainda surpreendidos em pleno acto sexual. E, sem surpresa, foi encontrada muita droga. Uma grande animação certamente.

A verdadeira surpresa tem, no entanto, a ver com a identidade dos participantes: um deles um notório deputado húngaro ao Parlamento Europeu, e mais alguns diplomatas. Dois deles identificaram-se de imediato, prontificaram-se a responder, e invocaram a respectiva imunidade diplomática.

Mas o tal eurodeputado que foi apanhado em flagrante com a boca na botija (salvo seja) ainda tentou fugir. Corajoso como parece ser, e aproveitando enquanto os seus colegas de infortúnio se vestiam e respondiam, vestiu-se à pressa e tentou fugir. Abriu uma janela e desceu pelo algeroz, mas a fuga acabaria por ser curta e infrutífera: à espera dele, na rua, estavam dois polícias calmeirões que o detiveram, com sangue nas mãos e com drogas na mochila.

E quem é este corajoso eurodeputado escalador de algerozes? Nada mais nada menos que o húngaro József Szájer, do partido político Fidesz, do qual é seu vice-presidente.

Um dos campeões da moralidade húngara e da reacção conservadora, que mais denunciava a corrupção moral das sociedades europeias e a dissolução moral dos seus costumes, e um dos mais próximos aliados do primeiro-ministro húngaro Victor Órban.

Pormenor interessante! Ele foi um dos redactores da emenda constitucional húngara que reza assim: “A Hungria deve proteger a instituição do casamento como a união de um homem e uma mulher”. Cómico certamente. Mas não menos exemplar.

* disseram-me agora: József Szájer é casado com a jurista e juíza Tünde Handó, membro do Tribunal Constitucional da Hungria

 

Carlos Reis

Um Comentário

  • Anónimo

    Se este senhor tivesse mantido a sua virgindade intacta, ao invés de andar a fazer tristes figuras enquanto andava à cata de favores sexuais, nada disto teria acontecido.
    Ai virgindade, virgindade! Quem ainda a tem chama-lhe sua…
    P.S. Aqui para nós que ninguém nos ouve, não consigo deixar de sentir uma certa compaixão pelo fulano. Ou muito me engano ou só Deus sabe o que lhe estará reservado quando voltar lá para a Hungria…

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