opinião

Esperança na humanidade? Restaurada!



Muita tinta já correu e irá correr sobre como a internet revolucionou a humanidade. Mudou como interagimos, nos relacionamos e pensamos. Mudou a nossa percepção do mundo e como ele nos percepciona a nós.

Somos, agora mais do que nunca, cidadãos globais, conectados por uma rede que chega a todo o lado, que tudo vê e a todos (ou quase todos) está disponível. Habitamos o espaço digital da mesma maneira que habitamos o espaço real. Demonstramos assim que a nossa natureza é imutável, seja em que espaço for.

Humanos serão sempre humanos, criaturas atrozes e bonitas, a definição de paradoxo aplicada à vida, com defeitos, vontades, ideais e sonhos, e como seria de esperar, onde estamos presentes, há negatividade, ódio e maldade, tal como também existe o seu contrário, por muito que consiga passar despercebido a olhos menos atentos. A verdade é que, apesar de habitarmos um mundo corrupto, continuamos a assistir diariamente a episódios belíssimos de solidariedade e demonstrações de amor próprio e interpessoal que, muitas vezes, é responsável pela criação de linhas de comunicação entre pessoas pertencentes aos mais diversos grupos, unindo desta forma pessoas que poderiam nunca vir a cruzar caminhos. A comunidade LGBTI+ é um desses exemplos, tendo encontrado um forte sentido de comunidade online, utilizando a internet para os mais diversos fins – seja encontrar pessoas com experiências parecidas ou totalmente diferentes, sendo possível aprender com perspectivas e empatizar, partilhar conquistas, inspirando assim outros, procurar e disponibilizar informação, ou até mesmo encontrar apoio, seja este financeiro ou emocional. Um exemplo recente é o de Guadalupe Amaro, que tendo sido confrontada com as longas listas de espera e utilização de técnicas arcaicas (muitas vezes mal realizadas) no [sistema de saúde] público e preços astronómicos no privado aquando de realizar a cirurgia de redesignação sexual, se viu compelida a pedir ajuda online, partilhando a sua história e a urgência da cirurgia em questão. Este pedido de ajuda foi um sucesso sem precedentes, tendo conseguido angariar 15700€ (quinze mil e setecentos euros) em menos de três dias, alcançado assim o objectivo de uma vida.
Mais do que um objectivo pessoal alcançando para Guadalupe, presenciamos posteriormente a um aumento exponencial de partilha de histórias e união à volta das mesmas, criando uma comoção espontânea e celebração de identidades, todas elas únicas, porém semelhantes no que as junta – amor e expressão própria.
Se provas ainda eram necessárias sobre como a internet pode ter impacto na vida real, agora já não são (ou pelo menos tanto). Para mim, este momento, foi um de esperança. Esperança na humanidade? Restaurada.

Leonor Ribeiro

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