opinião

Uma conquista com sabor a sal



Assistimos esta semana por parte da Santa Sé à revelação de um novo documento que vem mudar em 180 graus a vida de qualquer membro da comunidade LGBTQIA+.

 

Após pedidos e muitas questões de bispos e cardeais progressistas, a Igreja faz sair em decreto uma nova lei que diz que as pessoas trans, sejam elas MtF ou FtM, podem ser baptizadas. Também diz que qualquer pessoa gay pode ser padrinho ou madrinha e testemunha de casamento, bem como baptizar os seus filhos.

Mas agora experimentamos essa pequena conquista com sabor a sal, ao vir expresso no documento a seguinte contrapartida “se não houver situações em que haja risco de gerar escândalo público ou desorientação entre os fiéis”, mas que desorientação será uma pessoa trans ser baptizada? Que escândalo é este dos casais homossexuais serem os padrinhos ou madrinhas daquela pessoa? Não se prega que aos olhos de Deus todos somos seus filhos?

Há tempos já um bispo brasileiro dizia numa homilia ao abordar a homossexualidade, que “Deus não olha para os nossos órgão genitais, mas sim para o nosso coração”. Esse mesmo bispo afirmava também, fazendo ver toda a comunidade que lá se encontrava, que “Se não era pecado, porque não é. Se não é doença como diz a OMS, então na perspetiva da Fé, é um DOM!” Se pretendes ser padrinho ou madrinha, se pretendes baptizar o teu filho ou seres baptizado e tens medo por pertenceres à comunidade, não te preocupes, pois isso já é legalmente permitido, sem teres medo de seres quem és. Pensa sempre, sempre que aos olhos de Deus tu és perfeito, e essa perfeição para Ele é tudo.

 

Opinião de Daniel Santos

 

Um Comentário

  • Rui Wahnon

    Os únicos pecados que existem são aqueles que cometemos ao agir contra a nossa própria consciência. E o único «pecado original» do ser humano foi ter inventado que existe um deus e depois, com base nesse alicerce, ter criado as religiões. Sobretudo as monoteístas, são o maior flagelo da Humanidade, pois tornaram-se as maiores aliadas de todos os sistemas políticos. O mais firme sustentáculo do poder que subjuga a maioria dos homens e mulheres deste mundo! Como? Pondo primeiro as famílias e depois todos os agentes religiosos a lavar o cérebro das crianças desde o berço. Isto é, a formar pessoas que não se importem de sofrer e aguentar todas as desnecessárias agruras do mundo que sofremos, porque logo «noutra vida melhor seremos amplamente recompensados e felizes para sempre». É mentira, NÃO EXISTE UMA VIDA B! É só esta vida que temos a obrigação de levar saudáveis e felizes Mas isso está reservado à minoria dos que detêm o poder, sustentada, no nosso caso, pela fé cristã, tanto a católica, como a protestante, como as ortodoxas russa e grega; como as mais sinistras ainda evangélicas americanas e brasileiras! Quem não acreditar nestas minhas palavras vá à Bíbilia. Leia no novo testamento a «Carta de São Paulo aos Romanos» Cap. 13 – versículos 1 a 7, inclusive: «1.Submeta-se cada qual às autoridades constituídas. Pois não há autoridade que não tenha sido constituída por Deus e as que existem foram estabelecidas por Ele. 2.Quem resiste, pois, à autoridade, opõe-se à ordem estabelecida por Deus, e os que lhe resistem atraem sobre si a condenação. 3… …7.» O mal dos cristãos, sobretudo católicos e ortodoxos, é não lerem a Bíblia de fio a pavio. Se o fizessem com capacidade crítica e racionalidade, capazes de discernir o que é metafórico do que é literal, decerto muitos fiéis, senão a maioria, perderia a fé. Fé que não passa de um método analgésico de alienação do espírito, que os crentes buscam desesperadamente para se aliviar ou ver livre do pavor que lhes causa a ideia de que um dia a morte acabará com eles. O mal dos religiosos de todos os credos é pensarem, desejarem, não apenas acreditar nessas quimeras, mas também exigir que todos à sua volta creiam naquilo que eles creem. Ou naquilo que, no fundo querem e fingem acreditar. Para, substituindo a angústia perante a morte pela crença na vida eterna, além de sossegarem o espírito e deixarem de se afligir, calarem, condenarem os que não creem. De modo a impedir que estes digam o que não querem ouvir. Para deixarem de ouvir, de uma vez por todas, a palavra FIM ligada à definição do seu viver. E desse modo conseguirem continuar a alimentar a sua própria ilusão.

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