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Todes Iguais: uma celebração poética e política no Musicbox



Na noite de 28 de Junho de 2025, o Musicbox encheu-se de corpos, vozes e cumplicidades para o concerto Todes Iguais, reunindo Surma, Pip Marinho e Catarina Branco. A data não foi escolhida ao acaso: celebra-se o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, evocando a Revolta de Stonewall (1969), marco fundamental na luta pelos direitos civis e contra a discriminação.

O concerto foi, acima de tudo, uma afirmação de liberdade e diversidade.

Catarina Branco abriu o palco num registo intimista e cru, destacando-se pela interpretação de “Rugas”, uma sentida versão de António Variações, que ecoou no público como um grito de autoaceitação e de resistência.

Pip Marinho trouxe a energia do country/folk, num tom confessional e provocador. Entre canções sobre vulnerabilidade e a dureza das relações humanas, apresentou uma versão poderosa de “Queda de um Império” de Vitorino. Durante o concerto deixou um recado claro: “O mundo está cheio de pessoas bully e abusivas, e esta canção é para quem já está farto de viver assim.”

Por fim, Surma encerrou a noite com um concerto hipnótico, poético e dançante. Multi-instrumentista e criadora sensível, Surma construiu paisagens sonoras que levavam o público ora ao transe, ora à celebração coletiva, num convite a sentir sem medo.

Ao fundo, o palco foi decorado com a bandeira da Palestina, sublinhando o carácter interseccional da noite, um lembrete de que as lutas pelos direitos humanos não se restringem a uma só fronteira ou causa.

A noite do Musicbox provou, mais uma vez, que música e activismo podem (e devem) caminhar lado a lado, construindo espaços onde todos, todas e todes possam existir com dignidade e orgulho.

André Soares

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