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Guia Queer para o Vodafone Paredes de Coura 2025



A floresta, o rio — e a liberdade de ser quem és. 

O Vodafone Paredes de Coura está de volta de 13 a 16 de Agosto, prometendo mais uma edição com muita música alternativa, calor minhoto e uma comunidade que cresce entre árvores, tendas e danças até ao amanhecer. 

Conhecido pelo seu espírito independente, o festival é também um dos espaços mais seguros e acolhedores para pessoas queer em Portugal — mesmo sem se assumir como tal. Neste guia, destacamos os nomes mais relevantes para a comunidade LGBTQ+, seja pela representatividade, activismo, estética ou pelas pistas de dança queer-friendly que inspiram por todo o mundo. 

13 DE AGOSTO 

Vampire Weekend 

Apesar de não serem abertamente queer, Ezra Koenig e companhia têm uma legião de fãs LGBTQ+ graças à sua sensibilidade, letras pouco óbvias e presença em trilhas sonoras queer-friendly (hello, Looking!). O novo álbum traz frescura e melancolia pop em doses equilibradas. 

MJ Lenderman 

O rock emocional de Lenderman — frequentemente associado a boygenius e ao universo Phoebe Bridgers — carrega uma honestidade que ressoa forte em públicos queer. Ideal para quem vê no country alternativo um novo lugar de pertença. 

Nilüfer Yanya 

Andrógina, introspectiva e emocionalmente bruta. A cantora britânica com raízes turco-irlandesas é um dos nomes mais interessantes da nova indie alternativa. Não se assume como porta-estandarte queer, mas é referência para quem vive fora das categorias fechadas. 

Cass McCombs

Veterano do folk-rock alternativo, Cass carrega uma estética ambígua e tem um histórico de colaboração com artistas queer. Um nome para ouvir com atenção, entre a melancolia e a contemplação. 

Capicua 

Uma das vozes mais consistentes do rap português, Capicua tem cruzado música e activismo com inteligência e sensibilidade. Feminista interseccional, tem sido uma aliada vocal da comunidade LGBTQIA+ e aborda frequentemente temas como género, corpo, justiça social e liberdade. Em palco, alia palavra e presença com uma força crítica rara no panorama nacional. Uma presença relevante e politicamente consciente no cartaz de 2025. 

14 DE AGOSTO 

Lola Young 

Cantora britânica com letras intensas sobre identidade, corpo e relações. A sua estética e presença desafiadora ressoam com públicos queer, tornando-a uma referência emergente para quem procura narrativas fora da norma. 

Portugal. The Man 

Banda americana que sempre abraçou causas sociais e se posicionou a favor de minorias. Com visuais excêntricos, letras políticas e atitude progressista, são uma presença relevante para quem procura representatividade indireta mas real. 

Perfume Genius 

Mike Hadreas é muito mais que um ícone queer — é um artista que transformou trauma em hino, dor em beleza e sexualidade em palco performativo. A sua presença em Paredes é uma benção queer: espera-se intensidade emocional, sensualidade contida e momentos de catarse pura. 

Fat Dog 

Banda britânica com uma presença visual intensa e estética performativa. O seu caos controlado e teatralidade criam identificação com públicos queer alternativos. 

Maruja 

Projeto britânico que mistura jazz, punk e spoken word. Com letras socialmente conscientes e energia crua, têm atraído público queer em contextos urbanos e interseccionais. 

Linda Martini

Banda portuguesa com discurso progressista e presença constante em espaços culturais alternativos. A sua inclusão reforça a presença de vozes nacionais com consciência social e abertura. 

15 DE AGOSTO 

King Krule 

Artista britânico com uma base sólida no circuito alternativo. Embora não se identifique como queer, tem uma estética e sonoridade que circulam naturalmente em ambientes queer-friendly. 

Black Country, New Road 

Desde que a vocalista May Kershaw assumiu o microfone, a banda ganhou ainda mais camadas emocionais — e femininas. O seu último disco é vulnerável, dramático, e cheio de uma beleza queer não nomeada, mas vivida. 

Geordie Greep 

Vocalista e guitarrista de uma das bandas mais experimentais da última década (black midi). A sua estética performativa, ambiguidade e teatralidade são elementos que têm gerado identificação em públicos queer alternativos. 

Ela Minus 

Produtora e performer colombiana com um percurso ligado à cena eletrónica independente e queer-friendly. Tem atuado frequentemente em eventos e espaços culturais com foco na diversidade. 

Cassandra Jenkins 

A música de Cassandra é feita de atmosferas e palavras ditas no tempo certo. A sua estética delicada, melancólica e generosa atrai públicos LGBTQ+ pelo tom, pelo gesto e pela recusa em forçar certezas. 

Lambrini Girls 

Talvez a presença mais declaradamente queer e feminista deste ano. Punk barulhento, letras contra o patriarcado e uma entrega de palco que grita liberdade lésbica e fúria queer. Um dos concertos obrigatórios para quem quer dançar e berrar com convicção. 

16 DE AGOSTO

Franz Ferdinand 

A banda escocesa tornou-se ícone indie dos anos 2000 com uma energia ambígua e presença visual marcante. Temas como Do You Want To e Michael marcaram pistas queer pelo seu subtexto de desejo e provocação. Um nome com história na cultura pop alternativa. 

Air 

Duo francês com um legado importante na pop eletrónica europeia. A sua estética etérea, ambígua e retrofuturista é presença frequente em espaços queer e alternativos, influenciando gerações que cresceram a dançar ao som de Sexy Boy

Sharon Van Etten 

Aliada queer de longa data, Sharon escreve sobre desejo, dor, identidade e perda com uma sinceridade desconcertante. A sua música é refúgio, e os seus concertos são como um abraço apertado no meio da floresta. 

Ana Frango Elétrico 

Artista brasileira não-binária é uma das performers queer mais relevantes da música de língua portuguesa. Com letras que exploram desejo, identidade e humor, e uma estética que mistura o kitsch com o sofisticado, é uma presença essencial nesta edição. 

Hinds 

Rock feminino com alma DIY e atitude desbocada. As espanholas são queridas da comunidade queer — não apenas pelo que representam, mas pela forma livre e crua como vivem a música. 

Chastity Belt 

Banda formada por mulheres, com uma abordagem franca ao feminismo, relações e identidade. As suas letras abordam experiências queer de forma subtil, tornando-se uma referência na cena indie inclusiva. 

Lander & Adriaan 

Duo belga com trabalho ligado à eletrónica desconstruída. Atuam regularmente em festivais e espaços queer-friendly na Europa, com sonoridade e presença visual que dialogam com esses públicos.

O Vodafone Paredes de Coura é um dos festivais de música mais antigos de Portugal. Desde 1993, tem vindo a afirmar-se como um marco na história da música nacional, conhecido pela sua atmosfera singular, cenário natural e curadoria que valoriza tanto novos talentos como artistas consagrados. 

A programação de 2025 inclui presenças LGBTQIA+ e artistas aliados, reflectindo uma diversidade relevante. Este guia destaca essas presenças para quem procura referências queer no festival.

Sara Correia

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