a saber

A ascensão dos regimes autoritários – Autoritarismo na URSS Soviética (1920s–1950) 



Não acabarão com o amor, nem as rusgas, nem a distância.

Está provado, pensado, verificado.

Aqui levanto solene minha estrofe de mil dedos e faço o juramento:

Amo firme, fiel e verdadeiramente. 

Vladimir Mayakovsky

Contextualização

No início do século XX a monarquia da Rússia, liderada pelo czar Nicolau II, já gerava descontentamento. A população, que vivia sob o domínio de uma monarquia bastante repressora, sofria com as desigualdades sociais, a pouca liberdade e a muita pobreza. A situação culminou em 1917, com a Revolução de Fevereiro que depôs o czar e a Revolução de Outubro, liderada por Vladimir Lenine, que derrubou o governo provisório e instaurou o primeiro estado socialista do mundo.

O regime soviético comunista então instaurado defendia a abolição da propriedade privada, a construção de uma sociedade sem classes, o controle absoluto do Estado sobre a política, economia, cultura e educação, a centralização do poder político e a eliminação de qualquer tipo de oposição. O regime prometia igualdade e justiça social, mas rapidamente se tornou autoritário, com perseguições, censura, controlo e restrição de direitos.

Direitos humanos

Foram abolidas a liberdade de expressão, imprensa, associação e religião, foram extintos todos os partidos da oposição e a dissidência política era considerada traição, a polícia secreta (NKVD) vigiava, prendia e executava “inimigos do povo” e as políticas agrícolas forçadas levaram milhões de pessoas a morrer à fome. A homossexualidade foi criminalizada e os homossexuais eram perseguidos e enviados para campos de trabalho ou hospitais psiquiátricos, onde eram submetidos a eletrochoques, castração química e lobotomias. Estima-se que durante o Grande Expurgo (1936–1938) tenham sido executadas mais de 1 milhão de pessoas, que mais de 18 milhões tenham sido enviadas para campos de trabalho forçado (gulags), e mais de 100.000 pessoas tenham morrido ao ser alvo de deportações em massa. 

O regime soviético surgiu não como uma ameaça, mas com a máscara de algo novo e melhor. Prometia igualdade, justiça e libertação. É isso que os regimes autoritários fazem, promessas. Promessas de que serão diferentes, que enriquecerão o país, que irão acabar com os problemas da sociedade. Uma vez no poder, as promessas revelam-se ocas e o que vemos é a perda de direitos humanos, a repressão e o silenciamento. O caso soviético mostra-nos que o autoritarismo não precisa de soar como discurso de ódio: às vezes, veste-se de esperança. Por isso, recordar não é apenas estudar o passado, mas também proteger o futuro.

Anabela Risso

Próximo artigo: Militarismo Imperial Japonês

Um Comentário

  • Ivan

    I can’t understand why in the title it is limited to 1950 only, USSR existed till 1991, I think it is extremely limiting. All above described lasted nearly till the last days of USSR.

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