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A ascensão dos regimes autoritários – Militarismo Imperial Japonês (1930–1945)



Adoeço na viagem

meus sonhos vagueiam já

nesses campos secos.

Bashô

Contextualização

Tal como nos países europeus, a Primeira Guerra Mundial deixou o Japão mergulhado num fosso de dificuldades. Apesar de fazer parte do grupo dos vencedores, o país não obteve os mesmos ganhos territoriais das outras potências e a Grande Depressão de 1929 veio agravar a má situação que já se fazia sentir. Assim a instabilidade interna, o desemprego, o descontentamento popular, a incerteza e a pobreza criaram o clima propício para o fortalecimento do militarismo japonês. O imperador Hirohito manteve-se como figura central do poder mas na realidade o país era comandado pelos militares. Na década de 1930 o Japão começou assim a sua expansão imperialista, invadindo a Manchúria e a China e originando um violento conflito. 

O regime imperialista japonês era autoritário, ultranacionalista, expansionista e extremamente repressivo. Eliminou quase toda a oposição interna, instaurou uma censura e repressão severa a qualquer ideia contra o regime, e realizou uma propaganda e educação doutrinária para exaltar o imperador e o destino imperial do país. As crianças eram ensinadas a morrer pela pátria, e o culto ao sacrifício ganhou proporções extremas.

Na Segunda Guerra Mundial o Japão aliou-se à Alemanha e à Itália, tornando-se assim parte dos eixos autoritários.

Direitos humanos

Na sua ascensão imperialista o Japão ocupou violentamente várias zonas da Ásia como a Coreia, Filipinas, Indonésia e partes da Malásia. Nelas instaurou campos de trabalho forçado e campos de escravização sexual. As populações nativas eram alvo de políticas racistas e violentas. Neste regime a liberdade de imprensa, expressão e associação foram eliminadas, os partidos políticos foram dissolvidos e as minorias étnicas e estrangeiras eram alvo de perseguição sistemática, trabalhos forçados, repressão cultural e abusos sexuais. Estima-se que entre 50 000 a 200 000 mulheres tenham sido obrigadas a tornarem-se nas chamadas “mulheres de conforto”, através da escravização sexual. Estima-se que mais de 10 milhões de pessoas tenham sido forçadas a trabalhar sob domínio japonês. A homossexualidade, apesar de não ser abertamente punida por lei, era contra os ideais viris da militarização e os suspeitos de práticas homossexuais abertamente humilhados e castigados. 

O regime imperialista japonês não é habitualmente muito conhecido ou comentado no ocidente. Muito se sabe, mas também muito há que nunca iremos realmente saber. Este regime foi uma máquina brutal de disciplina e de aniquilação. Por trás da exaltação à pátria, milhares de pessoas curvaram-se em trabalhos forçados e milhares de mulheres sofreram de violações sexuais constantes. Além disso, este regime não se contentou em reprimir etnias e culturas estrangeiras no seu país; o Japão invadiu outros países para impor sobre eles a sua própria cultura. Os regimes autoritários podem parecer muito atraentes de início com as suas promessas de ordem, grandeza e segurança. Mas a verdade é que eles cobram sempre um preço extremamente elevado: a liberdade.

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Anabela Risso

Próximo artigo: Apartheid na África do Sul

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