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A nova face da extrema-direita: quando a história se repete



O século XXI tem sido marcado por incertezas. As alterações climáticas, a inflação, o desemprego, a desigualdade económica, as migrações em massa, as crises políticas, os conflitos internacionais… todas estas questões abrem espaço para o que julgamos já não ter espaço: as ideologias de extrema-direita. Mais uma vez, eles não vêm em tanques. Vestem-se de fato e gravata, criam partidos e fingem acreditar e defender a democracia. A nova extrema direita é subtil e confia que a história está esquecida.

O populismo e o nacionalismo são termos que temos de trazer para este diálogo. 

Populismo é a estratégia que consiste em dividir entre nós e eles. Os arianos e os judeus, os brancos e os negros, os trabalhadores e os ladrões, os patriotas e os traidores, o povo e a elite, os portugueses de bem e os outros. É uma narrativa simples, emocional e perigosa. Aqui, todos os males da sociedade são culpa de alguém que não nós. Nacionalismo é, por sua vez, o que transforma o amor à pátria em ódio ao outro. Vai além do orgulho nacional e passa a excluir tudo o que é diferente — culturas, línguas, religiões, ideias, etc.

Foram o populismo e o nacionalismo que justificaram, ao longo de décadas e décadas, a subida dos regimes de extrema direita ao poder. 

Hoje olhamos à nossa volta e vemos medo. Medo da pobreza e da fome, das guerras lá longe e dos desconhecidos que caminham ao nosso lado. As pessoas estão inseguras e isso é natural. O que é preciso é não permitir que a insegurança e o medo nos encaminhem para o populismo e para o nacionalismo. O que é preciso é perceber que a nossa liberdade nos está a levar para o fim da nossa liberdade.

Hoje, o resultado das eleições pode ser chocante, mas é quase inofensivo. A história alerta-nos ainda assim para o perigo que esses resultados podem representar no futuro: perda de direitos e liberdades, pobreza e fome, desigualdades sociais cada vez mais pronunciadas, e muitas, muitas coisas ainda piores. O medo traz divisão, a divisão enfraquece a democracia e fortalece o ódio ao próximo. O futuro da nossa sociedade depende de não deixarmos que o populismo e o nacionalismo nos roubem a liberdade, a justiça e o respeito mútuo. 

A ascensão actual de movimentos e governos de extrema direita é alarmante. O populismo e o nacionalismo voltam a alimentar divisões, medos e exclusões, colocando em risco a democracia, a liberdade e os direitos humanos. É preciso atenção. Só assim poderemos garantir que a história não se repete.

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Anabela Risso

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