“lágrima d’ouro simboliza as paisagens douradas do Alentejo, mas também o sofrimento e a melancolia.”
Anabela Rodrigues, artista queer natural de Braga, continua a moldar um percurso singular na música portuguesa, intimista, visceral e profundamente sensorial. Depois do lançamento do álbum de estreia Terra Húmida (Maio de 2023), regressa agora com um novo single, lágrima d’ouro, gravado no coração do Alentejo.
A nova faixa nasce de uma paisagem física e emocional: o calor, o silêncio, a solidão, e a beleza crua da planície alentejana. Um tema instrumental que traduz dor silenciosa, mas também contemplação e entrega. Como a própria Anabela diz, “a lágrima representa o peso das emoções, da distância, da solidão – mas é feita de ouro, como as paisagens alentejanas, douradas pelo sol. Um lugar, que dói e encanta ao mesmo tempo.”.
Multi-instrumentista, compositora e produtora, Anabela constrói música que não se escuta apenas como também se sente. A sua sonoridade cinematográfica, com ecos de minimalismo e raízes ibéricas, guia-nos por estados de espírito onde a leveza e o peso coexistem. Em faixas como Ânsia, do seu primeiro álbum, somos transportados para territórios emocionais onde a inquietação e o conforto se entrelaçam.
Terra Húmida foi descrito como um “território emocional”, onde cada faixa germina como uma semente, ora suave, ora feroz. Os baixos densos, que evocam “vozes furiosas vindas do interior da terra”, coexistem com momentos de desarmante serenidade. Um jogo de contrastes que revela tanto o mundo interior da artista como o nosso próprio.
Com lágrima d’ouro, Anabela não só reforça a sua estética sonora única, como convida-nos a escutar de forma mais presente, mais sentida. A sua música não é feita para o ruído do dia-a-dia, mas para quem se dispõe a parar e sentir.
Ouve agora lágrima d´ouro nas plataformas digitais e deixa-te levar por esta paisagem sonora onde a terra, o som e a emoção se encontram.
.
Sara Gonçalves


