Aviso: este artigo contém relatos de violência, homofobia e violência de género.
Quando falamos de programas televisivos como Secreto Story e Big Brother, é impossível não acordar memórias de violência, misoginia e homofobia – e a nona edição de Secret Story não é excepção.
Leandro Martins e Vera Ferreira têm sido vítimas de diversos ataques, perante os olhos dos telespectadores da TVI. Leandro sofreu vários insultos homofóbicos por parte de outros concorrentes da casa, como “cara de panasca” e “ele não é só homossexual, é drag queen, o que queima a imagem”, tendo também sido ameaçado fisicamente durante um confronto sobre comida. A ameaça de desistência por parte do concorrente foi transformada pela produção numa “missão secreta”, suavizando assim as nuances de bullying e violência homofóbica que Leandro tem vindo a sofrer dentro da casa.
Vera Ferreira foi alvo de comentários machistas, sendo acusada de “ter comportamentos masculinos” – um dos concorrentes, Bruno Simão, chegou mesmo a dizer-lhe que “as filhas deveriam ter vergonha” do seu comportamento.
Este tipo de comportamentos violam vários artigos da lei portuguesa: artigo 13.º da Constituição da República Portuguesa (igualdade), artigo 240.º do Código Penal (discriminação por orientação sexual, punível com prisão até 3 anos), e Lei n.º 27/2007 (Lei da Televisão, artigo 30.º, proibição de conteúdos que incitem ao ódio).
Os factos referidos geraram também uma onda de indignação, não só em redes sociais como o X, mas também em comentários televisivos como os de Gonçalo Quinaz e Bruno D’Almeida, ex-concorrentes destes programas.
O dezanove.pt sabe que já foram apresentadas queixas juntos das instâncias legais e junto de associações de defesa das pessoas LGBTIQIA+.
O dezanove.pt repudia que se compactue com comportamentos que promovam a homofobia e o bullying em plataformas como canais de televisão e sites associados.
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Maria Raposo


