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“Todos Devemos Ser Feministas”, de Chimamanda Ngozi Adichie



Chimamanda Ngozi Adichie, escritora nigeriana nascida em 1977, é uma das autoras mais reconhecidas e influentes da literatura contemporânea. A sua obra aborda temas como identidade, género, racismo e pós-colonialismo, através de uma escrita clara e envolvente.

Publicado originalmente em 2014, o livro Todos Devemos Ser Feministas tem origem numa conferência em que Adichie participou como oradora, em 2012. A autora reflecte sobre a relevância do feminismo no mundo actual, partindo da sua experiência como mulher nigeriana para questionar preconceitos e expor as desigualdades que ainda persistem na sociedade.

Adichie critica os rótulos negativos associados ao feminismo e recorda que, apesar das conquistas alcançadas, o mundo continua desigual: as mulheres são a maioria da população, mas os lugares de poder permanecem, em grande parte, nas mãos dos homens. E isto não pode ser explicado por uma suposta diferença natural, já que, hoje, o sucesso e a liderança não dependem da força física, mas sim da criatividade, da inteligência e da capacidade de inovar, características humanas, não de género.

A escritora analisa também a forma como educamos os rapazes para esconderem as suas vulnerabilidades e as raparigas para não ferirem o ego masculino, perpetuando um sistema que limita ambos os géneros. Embora reconheça as diferenças biológicas entre homens e mulheres, defende que a socialização exagera essas diferenças.

Um dos exemplos que apresenta é o da cozinha: as mulheres são geralmente as principais cozinheiras em casa, mas os grandes chefs são quase sempre homens, uma prova de que as desigualdades são construções culturais. No entanto, se a cultura actual coloca a mulher num lugar de submissão, é importante lembrar que essa cultura é criada pelas pessoas e, por isso, pode ser transformada. Essa mudança, sublinha Adichie, deve começar pela educação das crianças, baseada nas suas capacidades e interesses, e não no género.

Para a autora, é essencial reconhecer que existe um problema com o género e querer resolvê-lo. Como afirma: “Todos nós, mulheres e homens, temos de fazer melhor.”

O livro inclui ainda o conto “Os Casamenteiros”, que, juntamente com a força deste ensaio, desperta o desejo de conhecer melhor a restante obra de Adichie, nomeadamente os romances Hibisco Roxo, Meio Sol Amarelo e Americanah.

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Editor: Publicações D. Quixote
Ano de edição: 05-2015
Páginas: 112
ISBN: 9789722057431

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Daniela Alves Ferreira

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