O cinema queer ganha um novo destaque com Sex, o mais recente filme do realizador norueguês Dag Johan Haugerud. A obra, que inaugura a trilogia “Sex, Dreams, Love”, foi apresentada no LEFFEST 2025, em Lisboa, e chega ao Cinema Fernando Lopes a 20 de Novembro.
No cerne da narrativa estão dois homens que trabalham juntos como limpa-chaminés numa cidade moderna da Noruega, ambos casados e inseridos em contextos familiares aparentemente estáveis. Um deles confessa ao colega ter tido recentemente uma relação sexual com outro homem — sem ver o episódio como traição nem como redefinição da sua orientação — e partilha o acontecimento com a esposa. O outro, por sua vez, começa a ter sonhos em que aparece como mulher, questionando o modo como a sua identidade masculina foi moldada pelas expectativas dos outros.
Com o humor subtil e a observação social que marcam o cinema de Haugerud, Sex propõe uma reflexão íntima sobre identidade, masculinidade e fronteiras do desejo. É um filme que desmonta tabus e desafia rótulos, explorando a vulnerabilidade e a honestidade emocional de dois homens confrontados com a complexidade do próprio corpo e da intimidade.
O filme já foi reconhecido internacionalmente: participou na secção Panorama do Berlin International Film Festival, onde recebeu três prémios, e conquistou o Nordic Council Film Prize 2024.
Para os cinéfilos portugueses, Sex oferece a oportunidade de conhecer uma produção de destaque do cinema nórdico recente, e iniciar uma trilogia que desafia normas sociais e provoca reflexão sobre amor, desejo e identidade, com Dreams a ser exibido a 27 de Novembro e Love a 4 de Dezembro.
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“Dreams”: desejo adolescente e heranças emocionais
A 27 de Novembro segue-se Dreams, o segundo capítulo da trilogia, que troca a intimidade masculina adulta por um mergulho sensível no universo emocional de Johanne, uma adolescente que se apaixona pela sua professora de francês. A jovem regista o seu sentimento num diário apaixonado, que acaba descoberto pela mãe e pela avó, desencadeando uma reflexão intergeracional sobre sonhos reprimidos, desejos por cumprir e o peso das expectativas familiares. É o filme mais literário, delicado e introspectivo da trilogia — uma exploração subtil das memórias, dos afectos e das heranças emocionais que passam de mulher para mulher.
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“Love”: afectos fora da norma e novas formas de intimidade
A 4 de Dezembro estreia Love, que encerra a trilogia com uma abordagem madura e contemplativa sobre afectos que escapam aos modelos tradicionais. O encontro entre Marianne, médica, e Tor, enfermeiro com uma vida sexual fluida que inclui homens, abre espaço para conversas sobre liberdade, intimidade e a ética do desejo numa relação que desafia a rigidez da monogamia. Haugerud observa os dois com uma sinceridade desarmante, propondo um olhar realista sobre formas contemporâneas de amar e relacionar-se num mundo onde as fronteiras afectivas são cada vez mais permeáveis.

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Bruno Kalil


