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“Raving” de McKenzie Wark



McKenzie Wark, escreve-nos, em “Raving”, sobre o vício, a necessidade, toda a performance existente e a catarse, em torno de raves. 

A autora, faz um retrato íntimo e coletivo da cena rave trans e queer nova-iorquina.

“O ponto de vista será o desta freak da noite que sou eu: transexual, branca, de meia-idade e classe média” (p.17)

Numa época violenta, de espectáculo e exploração constantes, de precariedade, racismo e LGBTQIA+fobia, a rave acaba por se tornar uma prática para tornar a vida, naquela época e com todos os desafios, mais suportável. 

“A cultura rave queer, mais que um diagrama de pessoas, é um diagrama de indivíduos. Um diagrama de conexões e desconexões parciais, mapeadas numa secção da cidade, por sua vez lugar de extração de rendas (…)” (p.82)

Um espaço de novas possibilidades sonoras e temporais, em ambientes transitórios e artificiais criados pelo trabalho conjunto de quem as promove, de quem faz DJ, de designers de luz e de todas as pessoas que tornam possível ensaiar uma arte da entrega e imersão na batida. 

“Tudo é movimento, membros, cabeças, tecnologia, luz, ar, tudo oscila numa onda analógica que vaza do brulho das partículas digitais. Libertando-se” (p.31)

Combinando prática e teoria, dança e dissociação, Wark imprime na página luzes, fumo, drogas, sexo, corpos fora da norma e música tecno, para identificar na matéria pulsante da rave uma estética e uma política: a de dançar entre as ruínas do capital em colapso

“Empoleiradas num banco de madeira, apoiadas juntas. Suor e calor. Sinto o teu gosto em mim, misturado com o gosto de mim, e gosto. Passo-te a mão pela coxa. Dentro de ti. Sinto-te alargar-me os dedos. Ofego. Luxuriamento. Sinto que me ofereço a ti, à situação, a todos os estados em que sou livre. Deixo os nossos corpos estarem um com o outro quando são livres” (p.103)

A escrita de Wark vibra com a intensidade das próprias raves que descreve: entre o corpo e o pensamento, o íntimo e o coletivo, o prazer e a resistência. Raving não é apenas um livro sobre festas (ou raves, no caso) mas sobre as formas de existência que nelas se afirmam e sobrevivem.

A rave surge como um gesto político e estético, um espaço de suspensão das hierarquias e de experimentação sensorial e identitária. Dançar, aqui, é uma forma de pensar – e pensar é também uma forma de sentir o mundo em ruína e, ainda assim, insistir em viver.

Por fim, Raving é um ensaio sobre a possibilidade de liberdade: a de habitar o corpo, o som e o tempo de outra maneira. McKenzie Wark convida-nos a escutar o que pulsa no subterrâneo – não apenas a música, mas o desejo de transformar a experiência em algo vivo, colectivo e radicalmente humano.

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Tradução: Nuno Quintas

Posfácio: Odete

Concepção Gráfica: Rui Silva

1.ª edição: 2025

Páginas: 176

EAN 9789899225329

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Jéssica Vassalo

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