Uma operação policial em Kuala Lumpur (Malásia) levou à detenção de 208 pessoas — 201 clientes e sete funcionários — num spa exclusivamente masculino no bairro Chow Kit. Entre os detidos estavam 17 funcionários públicos civis. O episódio volta a colocar em evidência a perseguição institucional à comunidade LGBTQIA+ na Malásia.
O spa apresentava-se como centro de bem‑estar, com ginásio, sauna e jacuzzi, mas as autoridades afirmaram que servia de espaço para “actividades sexuais antinaturais”. Foram apreendidos preservativos e outros objectos que, segundo a polícia, indicavam práticas sexuais entre homens.
Os detidos tinham entre 19 e 60 anos, incluindo cidadãos estrangeiros. A detenção em massa ocorreu sob leis coloniais que criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo (Section 377B do Código Penal Malaio) e sob possibilidade de aplicação de normas religiosas (Sharia) para muçulmanos.
No dia seguinte, 171 dos homens foram libertados, depois de o tribunal ter rejeitado o pedido de detenção preventiva, por não se ter verificado qualquer vítima de exploração ou crime. Apesar da libertação, o episódio evidencia o risco legal e social que continua a existir para pessoas LGBTQIA+ na Malásia, onde a homossexualidade é criminalizada.
Organizações de direitos humanos denunciaram o caso como discriminatório e uma violação de direitos fundamentais. A Amnesty International Malaysia alertou para a detenção prolongada de mais de 40 horas sem acusações formais, acesso limitado a alimentos, água ou apoio jurídico, expondo os detidos a estigmatização e discriminação social.
Este episódio sublinha a vulnerabilidade da comunidade LGBTQIA+ em contextos onde leis coloniais e religiosas coexistem para criminalizar sexualidades e identidades de género. Para activistas, operações como esta reforçam o medo, a marginalização e a necessidade de espaços clandestinos, afastando muitas pessoas de serviços de saúde e apoio social.
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Bruno Kalil


