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Caderno Proibido: Eis, por fim, os inéditos poemas eróticos de António Botto



Fica hoje à venda nas principais livrarias do país, na livraria online Wook e no site da editora Guerra e Paz o livo “Caderno Proibido” com poemas eróticos inéditos de António Botto.

A organização, fixação dos textos e prefácio são do reconhecido autor Victor Correia,

Escritos nos anos 1950 e guardados na Biblioteca Nacional, estes poemas são agora publicados pela primeira vez, suscitando a estranheza do investigador Victor Correia por nunca antes terem sido editados, nem incluídos nas suas “obras completas”.

Intitulado “Caderno proibido” – não porque tivesse sido proibido, mas por ser o título atribuído pelo próprio António Botto -, este livro de poemas homoeróticos, ambientado no Rio de Janeiro, onde o autor vivia na altura, chega esta terça-feira às livrarias, editado pela Guerra e Paz.

A obra reúne poemas que António Botto planeava publicar em vida, mas que não chegou a concretizar, tendo morrido atropelado numa avenida de Copacabana.

Os poemas permaneceram inéditos até hoje, “mesmo passados mais de 50 anos depois da revolução do 25 de Abril, ou por pudor dos investigadores, ou por entraves dos herdeiros de António Botto, que entretanto talvez tenham falecido, sucedendo-se descendentes que autorizaram”, disse à agência Lusa Victor Correia.

Certo é que nem a anunciada obra completa do poeta, publicada pela Assírio & Alvim sob o título “Poesia”, contempla este caderno, que “está na Biblioteca Nacional [de Portugal], guardado, num cofre”.

“Vários investigadores têm andado à volta da obra dele, falado sobre este livro, mas nunca ninguém publicou” e “não consegui descobrir a razão da dificuldade da sua publicação”, acrescentou.

Estes poemas, além de “completamente inéditos”, distinguem-se da obra mais conhecida do autor, como “Canções”, por “uma linguagem muito ousada” e explícita, de “pendor erótico”, sem os subterfúgios e a subtileza presentes noutros livros, chegando alguns textos a poder ser considerados pornográficos ou obscenos.

Victor Correia admite que talvez possa ser essa a razão para nunca terem sido editados, embora considere que hoje essa linguagem “já não choca nada”.

Desiludido com o meio social e cultural português, onde foi despedido e vivia dificuldades financeiras, onde se sentia ostracizado, vilipendiado a alvo de chacota – chegou a afirmar “sou o único homossexual reconhecido no país” -, partiu em 1947 para o Brasil, na companhia da mulher.

Apesar da homossexualidade, António Botto viveu em união de facto com Carminda da Conceição Silva Rodrigues, sua companheira desde o final dos anos 1920 até à morte do poeta, que chegou a escrever num dos seus versos: “o casamento convém a todo homem belo e decadente”.

No Rio de Janeiro, procurou não apenas trabalho, mas também “um ambiente muito mais aberto em termos do relacionamento sexual”, que encontrou nas suas “escapadelas” à noite, que contrastavam com a rigidez moral que deixara em Portugal, explica o investigador Victor Correia.

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