A Gala Bolsa de Ouro voltou a encher a Academia de Santo Amaro, em Lisboa, no passado sábado, 28 de Abril, para a grande final de mais uma edição dedicada à arte do transformismo. Ao longo de várias galas, 12 concorrentes disputaram o título, num percurso feito de criatividade, evolução e afirmação em palco.
Na edição de 2026, passaram pela competição Bellatrix, Daniah Blaze, Diva Divando, Havenna Savanna, Hotgirl, Ingridy di Biaggi, Kyara Hilton, Nicole Fierce, Pariga, Robertha Plumme, Star Butterfly e Stella Secrets. A final confirmou o entusiasmo que se foi sentindo ao longo do concurso, com casa cheia e um espectáculo marcado pelo brilho e pela entrega.
Star Butterfly conquistou o primeiro lugar, com Stella Secrets a garantir a segunda posição e Robertha Plumme a fechar o pódio. Entre as finalistas estiveram ainda Havenna Savanna, Hotgirl, Kyara Hilton e Pariga.
Falámos com a grande vencedora.
dezanove: O que significou para ti vencer a Bolsa de Ouro 2026?
StarButterfly: Vencer a Bolsa de Ouro 2026 significou, e significa, bastante. Foi um sonho realizado, fruto de esforços e sacrifícios enormes. Uma competição deste calibre exige excelência, empenho e dedicação. Foi deveras importante ter conseguido entregar isso e superar as expectativas, tanto minhas como dos jurados, comentadores e público. Todas as críticas que recebi ao longo desta competição, que foram sempre positivas, fizeram-me sentir que o meu lugar era ali mesmo, e isso notou-se. É super gratificante terem-me incentivado e dado esta oportunidade em palco para mostrar e projetar a todos quem é a StarButterfly, o que consigo fazer, seja em looks, em performance, em história, a minha evolução. Foi conseguir mostrar a todos, principalmente àqueles que sempre duvidaram, e até a mim mesma, que eu consigo e que sim, eu sou uma winner. Ter finalmente ganho a coroa e o título que a “Star” sonhava e ambicionava desde 2019, 2020 e 2021, e nunca conseguiu, é algo de que me vou sempre orgulhar, de mim e de todo o meu progresso e evolução.

Como nasceu a StarButterfly?
A Star nasceu a 7 de Janeiro de 2018, quando eu tinha apenas 18 anos. Tenho agora 26, ou seja, a Star existe há 8 anos. Criei-a pela necessidade de explorar o meu lado feminino e o meu lado artístico. Com a Star, posso expressar cá para fora o meu potencial escondido, sem julgamentos, e ser uma pessoa diferente, mas com traços de mim mesmo que, em Diogo, não consigo. É também uma resposta a quem sempre disse que eu nunca iria ser uma estrela e provar-lhes que estão errados. Daí o nome “Star”. O “Butterfly” vem da minha forma de transformação, força e beleza, que sou e entrego. A fragilidade exposta ao mundo faz-me voar em segurança para os palcos e actuações, com um público que sabe ao que vem, que me quer ver como sou e que me adora por isso.
Que inspirações moldam o teu estilo?
No início, inspirava-me bastante na série de animação Star Contra as Forças do Mal. Uma heroína, uma princesa, que não tinha medo de nada e combatia todos os males, e eu achava fascinante e queria ser determinada e destemida como ela. Ao longo do meu percurso, fui-me inspirando muito na estética Y2K dos anos 2000 e nas Bratz. No entanto, a principal inspiração são todas as mulheres da minha vida, principalmente as que, infelizmente, já não estão cá, e consigo trazer um pouco da sua essência e fazer-lhes uma homenagem.
Que mensagem deixas a quem explora a sua expressão de género?
Que se divirtam e não tenham medo de expressar coisas novas e fora da zona de conforto. No início é sempre algo difícil e estranho, mas vão perceber que, à medida que o tempo passa, se vão encontrar e podem ver-se como querem e explorar o que podem fazer ou vir a fazer. A arte drag não tem propriamente de ser beleza. Ter aquele pensamento de “ah, e tal, deveria ser assim, linda, bonita e maravilhosa como ela, mas não tenho capacidade para”, não. Não fiquem com esse pensamento, nem se inferiorizem ao comparar-se com outras drags. A drag pode ser feita e vista de formas diferentes. É criada e expressada à vossa maneira, ao vosso tempo e inspirada em quem quiserem. Até as coisas mais loucas e irrealistas vocês conseguem criar em drag. É um espaço aberto para todos aqueles que sentem que querem trazer algo para mostrar e que não conseguem, seja de que forma e formato for. Entrar neste mundo, posso-vos garantir, é possível e são muito bem recebidos e acolhidos. Por isso, se estás a ler isto, começa. Fala comigo, encontra-me e eu ajudo-te no que for preciso, seja a encontrares-te ou a perceberes como começar. Eu acompanho-te no que precisares.
Quais são os próximos passos, após esta conquista?
Os meus próximos passos são ter mais trabalho na área. Estou disposta e disponível. Quero trazer mais visibilidade ao drag e a quem eu sou para a minha zona, a Ericeira. Tenho um projecto em mente com a minha mãe drag, Dama de Paus, que me entusiasma muito, por isso já sabem, fiquem atentos. Vou mostrar ao mundo o que estão a perder por não me conhecerem e por não me verem actuar.


