O Ageas Cooljazz regressa entre 8 e 31 de Julho de 2026, em Cascais, com um alinhamento que confirma a evolução do festival para lá do jazz e, sobretudo, uma mudança no tipo de público que o ocupa.
Com nomes como David Byrne, Scissor Sisters, Diana Krall, Jamiroquai ou Chet Faker, o cartaz mantém uma lógica de equilíbrio entre prestígio e apelo transversal, mas introduz também referências claras a universos culturais mais próximos da pop, da performance e da cultura de pista.
É nesse cruzamento que o festival ganha novas leituras, incluindo uma presença queer mais visível, ainda que não assumida como eixo curatorial. A atuação dos Scissor Sisters, a 29 de Julho, é o exemplo mais directo. A banda norte-americana construiu a sua identidade a partir da cultura LGBTQIA+, com uma estética associada ao disco, ao glam e à teatralidade pop, introduzindo no Cooljazz uma referência explícita a esse universo.
Também David Byrne, confirmado para 14 de Julho, acrescenta uma dimensão artística frequentemente associada à experimentação performativa e à exploração do corpo e da identidade, contribuindo para a diversidade estética do cartaz.
Esta abertura não se limita aos nomes do alinhamento principal. A própria estrutura do festival – que inclui sessões de novos talentos, concertos e programação tardia – cria diferentes níveis de participação. Nos momentos de encerramento, com DJ sets que cruzam afrobeat, hip hop, R&B e funk, o ambiente aproxima-se de uma lógica de pista, com maior circulação e diversidade de públicos. Estes espaços, menos formais, têm vindo a ganhar peso na experiência do festival e contribuem para uma vivência mais aberta.
Paralelamente, a edição de 2026 reforça medidas de inclusão, com alguns concertos a incluir interpretação em Língua Gestual Portuguesa e coletes de vibração para pessoas surdas, além de políticas de acesso mais abrangentes.
Sem assumir uma programação orientada para a comunidade LGBTQIA+, o Cooljazz apresenta assim sinais de transformação: um cartaz mais híbrido, uma experiência que vai além do formato clássico de concerto e uma composição de público progressivamente mais diversa, onde a presença queer surge com maior visibilidade.
Mais informações: https://www.ageascooljazz.pt
Foto: readdork.com


