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Madonna reencontra a pista de dança em Confessions II e entrega o seu álbum mais aclamado em duas décadas



Vinte e um anos depois de Confessions on a Dance Floor, Madonna regressa ao universo que redefiniu a música pop dos anos 2000. Confessions II, lançado esta sexta-feira, não é apenas uma sequela espiritual do clássico de 2005. É um reencontro com a artista que fez da pista de dança um espaço de liberdade, introspeção e reinvenção. A receção da crítica tem sido amplamente positiva, com vários meios a classificarem-no como o seu melhor trabalho em mais de vinte anos. Entre os elogios destaca-se a avaliação da Pitchfork, que atribuiu ao álbum 8,1 pontos, a classificação mais elevada concedida a um disco de Madonna desde Ray of Light (1998), reforçando a perceção de que a artista assinou um dos momentos mais inspirados da sua carreira recente.

O álbum chega depois de uma década marcada por projetos mais experimentais e divisivos como MDNA (2012), Rebel Heart (2015) e Madame X (2019). Embora estes discos tenham conquistado os seus defensores, nenhum conseguiu recuperar o consenso crítico ou o impacto comercial dos seus maiores clássicos. Desta vez, Madonna parece ter encontrado o equilíbrio entre nostalgia e evolução.
Antes do lançamento, os temas “Bring Your Love”, em colaboração com Sabrina Carpenter, e “I Feel So Free” já tinham dado um forte impulso ao projeto, ultrapassando ambos os 10 milhões de reproduções nas plataformas de streaming. Love Sensation, terceiro tema revelado antecipadamente, completou o trio de canções que preparou o terreno para o regresso da Rainha da Pop.

O entusiasmo refletiu-se imediatamente nas tabelas digitais. No próprio dia de lançamento do álbum, “Bring Your Love”“Love Sensation” e “I Feel So Free” atingiram, respetivamente, as posições 2, 3 e 5 do iTunes mundial, enquanto Confessions II alcançou o primeiro lugar do iTunes em 37 países, incluindo Portugal.

Entre as surpresas do alinhamento destaca-se “Danceteria”, uma faixa inédita que rapidamente se tornou a música mais bem posicionada do álbum entre as canções ainda não lançadas como single. Tanto críticos como fãs apontam-na como um dos grandes momentos de Confessions II: um hino eufórico à cena noturna nova-iorquina do início dos anos 80, recheado de referências às pessoas e aos clubes que ajudaram a moldar a jovem Madonna antes de conquistar o mundo. Musicalmente, “Danceteria” recupera a energia contagiante de clássicos como “Jump” e “I Love New York”, evocando a sonoridade eletrónica e dançável que marcou a era Confessions on a Dance Floor, sem cair numa simples recriação do passado. A Billboard colocou-a entre as melhores faixas do disco, destacando precisamente esse equilíbrio entre nostalgia e modernidade. O entusiasmo refletiu-se também nas plataformas de streaming, onde “Danceteria” estreou no 60.º lugar do Spotify Global, com 1,841 milhões de reproduções no primeiro dia, assinalando uma das maiores estreias da carreira de Madonna desde a transição da indústria para a era do streaming. O desempenho foi impulsionado, em parte, pela inclusão da faixa como primeira música da influente playlist New Music Friday, uma das listas editoriais mais seguidas do Spotify.

O projeto reúne ainda um elenco inesperado de colaborações. Martin Garrix, Sabrina Carpenter e Stromae juntam-se à artista em diferentes momentos do disco, mas é Lourdes Leon, filha de Madonna, quem protagoniza um dos momentos mais emocionantes. Em “The Test”, escrita pela própria Lourdes, mãe e filha exploram a dificuldade de crescer sob a sombra de um dos maiores ícones da cultura pop, num diálogo íntimo sobre identidade, expectativas e emancipação. A canção tem sido apontada por vários críticos como um dos momentos mais pessoais e emocionantes do álbum.

Embora “Danceteria” seja frequentemente apontada como o momento mais explosivo do disco, outras faixas têm igualmente conquistado elogios. “One Step Away” e “Good for the Soul” recuperam a euforia da pista de dança sem parecerem exercícios de nostalgia, enquanto “Bizarre”, produzida com Martin Garrix, introduz uma faceta mais sombria e cinematográfica. Já “The Test”, o emocionante dueto com Lourdes Leon, surge como uma das faixas mais íntimas da carreira recente da artista.

Musicalmente, Confessions II recupera a produção elegante e contínua de Stuart Price, voltando a apresentar-se como uma experiência quase ininterrupta, tal como o álbum original de 2005. House, deep house, French touch e eletrónica coexistem ao longo de dezasseis faixas que privilegiam a atmosfera sobre os refrões imediatos.

Ainda assim, quem espera um novo “Hung Up” ou “Sorry” poderá não encontrar um single com esse impacto imediato. Em vez disso, Madonna aposta numa abordagem mais subtil e hipnótica, privilegiando a criação de uma experiência contínua em detrimento de momentos isolados concebidos para dominar as tabelas de vendas.

Essa mudança de abordagem tem sido amplamente debatida entre os fãs. Em comunidades como o Reddit, muitos descrevem Confessions II como um álbum mais “sussurrado” do que “cantado”. A interpretação vocal é frequentemente contida, íntima e quase falada, privilegiando o ambiente e a textura em detrimento da potência vocal tradicional. Para muitos ouvintes, essa parece ter sido precisamente a direção artística pretendida por Madonna. Menos exuberância, mais vulnerabilidade.

O consenso entre fãs e críticos é raro na carreira recente da artista, mas parece estar finalmente a acontecer. Para muitos fãs, Confessions II é o trabalho mais consistente de Madonna desde Hard Candy (2008). Outros vão ainda mais longe e defendem que este é o seu melhor álbum desde Confessions on a Dance Floor. Depois de um período em que MDNARebel Heart e Madame X dividiram opiniões e tiveram um impacto comercial mais discreto, Madonna parece finalmente ter reencontrado a fórmula que melhor combina a sua identidade artística com aquilo que o público sempre procurou nela.

O maior trunfo de Confessions II talvez seja precisamente esse equilíbrio. Não tenta recriar Confessions on a Dance Floor faixa por faixa, mas recupera a sua filosofia: a pista de dança como espaço de libertação. Se em 2005 Madonna ofereceu ao mundo êxitos imediatos como Hung Up ou Sorry, em 2026 prefere construir uma experiência mais coesa, onde temas como “Danceteria”“The Test”“One Step Away” e “Good for the Soul” revelam novas camadas a cada audição. É menos um álbum de singles e mais um álbum pensado para ser ouvido do princípio ao fim.

Aos 67 anos, Madonna continua a provar porque permanece uma das artistas mais influentes da história da música popular. Em vez de competir com uma nova geração, Confessions II reafirma aquilo que sempre distinguiu a Rainha da Pop: a capacidade de transformar a pista de dança num espaço de liberdade, reinvenção e expressão pessoal. Mais do que um exercício de nostalgia, este é um lembrete de que algumas artistas não seguem tendências. São elas que as criam.

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