Quando soube que a Aldeia da Pedralva, no concelho de Vila do Bispo, queria apostar na realização de casamentos LGBT, fiquei curioso. Conhecia o nome, sabia que era um projecto de turismo rural, mas nunca lá tinha estado. Decidi passar umas noites na aldeia para perceber o que a torna diferente e se faz sentido como cenário para um casamento.
A Pedralva esteve praticamente abandonada durante anos, até ser recuperada através de um projecto que devolveu vida às antigas casas da aldeia, mantendo a arquitectura tradicional e transformando o espaço num alojamento turístico espalhado por várias habitações.
Depois do check-in, recebi a chave da casa onde iria ficar. Ao contrário da maioria dos alojamentos turísticos, aqui não há corredores nem portas numeradas. Cada hóspede fica instalado numa das antigas casas da aldeia, o que faz com que a experiência seja muito diferente de uma estadia num hotel.
As ruas empedradas, as fachadas caiadas, o silêncio e a ausência do movimento típico das zonas turísticas fazem esquecer que as praias da Costa Vicentina ficam a poucos minutos de distância. O ambiente é tranquilo e convida a desacelerar.
Durante a estadia visitei também o restaurante, a piscina e os restantes espaços comuns. Tudo foi pensado para manter a identidade do local, sem descaracterizar aquilo que a aldeia foi durante décadas.
À medida que fui conhecendo melhor o projecto, comecei a perceber porque é que a Pedralva vê potencial nos casamentos LGBT. Não se trata apenas do enquadramento ou da paisagem. A grande diferença está no conceito.
Em vez de reservar apenas um espaço para a cerimónia, é possível reunir convidados espalhados pelas várias casas da aldeia, criando um ambiente muito mais próximo e descontraído ao longo de todo o fim-de-semana. A festa deixa de durar apenas algumas horas e transforma-se numa experiência partilhada entre familiares e amigos.








Num mercado onde muitos casais procuram alternativas às tradicionais quintas e hotéis, a Aldeia da Pedralva apresenta uma proposta diferente e com personalidade própria. Depois de lá estar, percebo perfeitamente porque pode conquistar casais LGBT que procuram algo intimista e fora do habitual.


