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Marquesa de Belbeuf: uma mulher muito avant-garde



Mathilde de Morny (1863 – 1944), marquesa de Belbeuf, filha do duque de Morny, sobrinha de Napoleão III, bisneta da imperatriz Josefina, descendente de Luís XV e do czar de todas as Rússias, Nicolau I, – Missy, Oncle Max ou Monsieur le Marquis para os amigos –, aristocrata, e artista (pintora e escultora) francesa, foi, no seu tempo, a rainha das lésbicas parisienses. 

A sua conduta extravagante fez dela uma celebridade da Belle Époque. Desafiando as normas e bons costumes da época, os paradigmas estabelecidos para o seu género, Mathilde de Morny – que se crê ter removido o útero e os seios, foi uma das primeiras mulheres do seu tempo a ousar vestir-se como um homem. E claro, criticada e atacada, alvo de todas as más-línguas…

Tendo sido casada durante alguns anos, com o marquês de Belbeuf, Jacques Godart (1850 – 1906), homossexual, foi amante de várias mulheres, entre elas Liane de Pougy (1869 – 1950), uma dançarina de cabaré, uma das cortesãs mais bonitas e notórias de Paris, e a polémica escritora Colette (1873 – 1954), com quem chegou a viver e com quem protagonizou uma performance, em 1907, no Moulin Rouge, intitulada Rêve d’Égypte, na qual a marquesa causou um escândalo ao interpretar um egiptólogo durante uma cena de amor com Colette – um beijo entre elas causou tumulto e a produção foi interrompida pela polícia.

Vestida de homem, de fato completo, casaco, colete e calças, de cabelo curto, chapéu de coco na cabeça, sempre de charuto na mão, agia com muita distinção, muito requinte. Conta-se que, quando um de seus irmãos morreu, sentindo que não deveria desrespeitar os mortos, a marquesa compareceu ao funeral com um véu e um vestido preto. A família achou que ela parecia “um homem vestido de mulher” e implorou para que mudasse para o traje masculino.

No final de Maio de 1944, Morny tentou harakiri, mas foi impedida. Acabou por suicidar-se em 29 de Junho de 1944, com 81 anos, durante a ocupação alemã, quando estava arruinada e desesperada.

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Paulo Marques

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