Confissões de um Terapeuta Tântrico, de Manuel M., percorre histórias de desejo, intimidade, vulnerabilidade e descoberta através do olhar de quem trabalha diariamente com o corpo.
O que acontece quando fechamos a porta e deixamos cá fora aquilo que os outros esperam de nós?
É a partir desta pergunta que se constrói Confissões de um Terapeuta Tântrico, o primeiro livro de Manuel M., terapeuta tântrico dedicado ao trabalho corporal, energético e sensorial. A obra reúne 15 crónicas passadas num estúdio onde o corpo ocupa o centro da narrativa.
Não é, porém, apresentado como um manual de Tantra. O livro aproxima-se antes da ficção para contar diferentes encontros com o desejo, a intimidade e a relação com o próprio corpo. São histórias ficcionadas, embora o autor revele que partem de vivências, relatos e factos recolhidos ao longo da sua experiência profissional.
O Tantra aparece aqui associado aos sentidos, à respiração, ao toque e à presença. E, sobretudo, à ideia de que a sexualidade não existe separada de tudo aquilo que carregamos connosco.
Há espaço para a insegurança, para a procura de confiança, para os efeitos dos padrões de beleza, para a intimidade dentro de relações longas e para diferentes formas de viver o desejo. A masculinidade também ocupa um lugar importante, assim como a forma como o corpo pode ser condicionado pelas expectativas próprias e dos outros.
É uma abordagem que passa por temas muito diferentes sem abandonar o mesmo cenário: o tatami, onde decorrem as sessões e onde as personagens são convidadas a baixar as defesas.
O livro inclui ainda um glossário dedicado a alguns dos conceitos utilizados ao longo das crónicas, entre eles Prana, Chakra, Nadis, Yoni, Lingam e respiração circular.
A sexualidade está naturalmente presente e algumas passagens têm conteúdo sexual explícito. Mas Confissões de um Terapeuta Tântrico procura colocar o foco numa dimensão mais ampla: aquilo que acontece quando o corpo deixa de ser apenas algo para mostrar, esconder, desejar ou julgar e passa a ser também uma forma de expressão.
Manuel M. escreve a partir do lugar de terapeuta, mas também coloca o próprio percurso dentro do livro. Conta como uma vida profissional marcada pelo ritmo corporativo e pelo afastamento do próprio corpo acabou por dar lugar à descoberta das filosofias orientais e, posteriormente, do Tantra.
O resultado é uma obra curta, directa e assumidamente adulta, onde o erotismo serve de porta de entrada para histórias sobre aquilo que nem sempre é fácil dizer em voz alta.
Confissões de um Terapeuta Tântrico é a primeira obra publicada de Manuel M. e está disponível em edição digital.


