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Alice Weidel, a líder lésbica da AfD que quer levar a extrema-direita ao poder na Alemanha



A Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita, venceu as recentes eleições estaduais na Saxónia-Anhalt, ficando a apenas três lugares da maioria absoluta. O resultado aproximou o partido, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, da possibilidade de governar um estado alemão. A vitória dá agora maior visibilidade à força política da AfD e às propostas que o partido defende, bem como à figura de uma das suas principais líderes: Alice Weidel.

Weidel é uma das duas líderes nacionais da AfD. Economista de formação, com um doutoramento na área do sistema previdenciário chinês, trabalhou, antes de entrar na política, como analista e consultora de empresas internacionais. Entrou na AfD em 2013, quando o partido estava sobretudo associado à oposição aos resgates financeiros da zona euro. Com a crescente centralidade das políticas anti-imigração, Weidel ascendeu rapidamente dentro da organização, tornando-se uma das suas figuras mais reconhecidas.

A sua vida pessoal, contudo, contrasta em vários aspetos com a visão social defendida pelo partido que lidera.

Weidel vive numa união registada com Sarah Bossard, produtora cinematográfica suíça nascida no Sri Lanka. O casal tem dois filhos e a família reside sobretudo na Suíça. Apesar de desenvolver a sua carreira política na Alemanha, Weidel mantém, assim, a sua vida familiar no país vizinho.

No seu programa político, a AfD apresenta a família constituída por “pai, mãe e filhos” como modelo social de referência e rejeita a expansão do conceito de família a outras formas de organização familiar. O partido opõe-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e defende que a política familiar deve ter como referência a família tradicional. A AfD tem também assumido posições contra várias políticas de igualdade para pessoas LGBTQ+ e contra aquilo que designa como “ideologia de género”. 

A AfD defende restrições a intervenções de afirmação de género em crianças e adolescentes trans. O partido pretende ainda limitar a presença de conteúdos relacionados com género e diversidade sexual nas escolas e, na Saxónia-Anhalt, propõe restrições à exibição de símbolos LGBTQ+ nos estabelecimentos de ensino.

Na área da imigração, o partido propõe uma política de deportações mais agressiva e medidas destinadas a promover o regresso de migrantes aos seus países de origem. Entre as propostas para a educação está também a criação de turmas separadas para crianças refugiadas, com o argumento de que a sua permanência na Alemanha será temporária. 

A contradição não está apenas na vida pessoal de Alice Weidel, mas também na posição que ocupa perante direitos conquistados ao longo de décadas de luta LGBTQ+. Weidel beneficia hoje de liberdades e direitos pelos quais outras pessoas lutaram, enquanto lidera um partido que pretende limitar essas mesmas conquistas.

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Foto: Por Elekes Andor – Obra do próprio, CC BY 4.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=166893308

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