Ao longo da Marcha do Orgulho LGBT do Porto foram várias as palavras de ordem, mas entre todas as vozes havia umas que se destacavam, mesmo sem megafones. Eram as mães e os pais da AMPLOS (Associação de Mães e Pais pela Libertação da Orientação Sexual). Alexandrina Varela faz parte do grupo de pais que se têm reunido no Porto nos últimos meses. “O objectivo é apoiar pais e mães e, por consequência, os filhos. Este é um ponto de apoio, esclarecimento e informação”, descreve.
Alexandrina Varela apareceu com a família na reportagem na TVI “Por vergonha de amar” onde o filho Pedro assumiu a sua orientação sexual. “Primeiro há um choque, mas a segunda fase é de aceitação. E aí entramos nós que também queremos fazer alguma coisa positiva pelos outros”, diz a mãe, enquanto os outros pais marcham e gritam palavras de ordem: “Sim, sim, sim, mães e pais estão aqui!”
“O meu filho também está a participar na marcha, já sabemos dele há dois anos. Agora a situação é muito diferente, sentimo-nos os agentes de uma mudança que tem de ser feita. Desde a reportagem houve dois entendimentos entre filhos e pais”, comenta a mãe de Pedro. Ao mesmo tempo Margarida e Paulo fundadores da AMPLOS continuam com as palavras de ordem: “Dizemos não, não, não à discriminação! Filho ama quem quiser, seja homem ou mulher!”
Após a exibição da reportagem, a associação AMPLOS tem sido abordada por mais pais do Grande Porto. Embora ainda sem sede própria, têm-se reunido de dois em dois meses na Cadeira de Van Gogh, um espaço portuense, mas estão disponíveis para encontros com outros pais aos Sábados à tarde. E uma mãe orgulhosa agarrada à faixa azul continua a descer a Rua Gonçalo Cristóvão com um bem alto “O que nos une afinal? Amor incondicional!”

Pedro Varela, que ostentou a faixa ‘Existimos, Direitos Exigimos!’, faz ao dezanove o balanço da participação na Marcha. ”É a segunda vez que participo e faço parte da organização”, afirma o jovem quase a completar 19 anos. As reacções menos positivas de ter aparecido na televisão foram de “alguns membros da família mais alargada. De resto, na rua as pessoas recebem-me de braços abertos” comenta. “Houve filhas que contaram aos pais e a situação correu bem e fiquei feliz por ter conseguido libertar alguém da vida dupla”, remata Pedro Varela.

Outro dos participantes da 5ª edição do orgulho LGBT no Porto, Tiago Lopes, trouxe o namorado espanhol, Hector Carretié, à marcha. “O que me trouxe aqui foi a solidariedade pela causa que representa, porque acho que é preciso dar a cara por estes temas, que fazem falta serem falados na sociedade de forma banal.” Hector Carretié vê a sociedade portuguesa avançar no bom caminho e aponta em declarações ao dezanove algumas das questões que ainda fazem falta alcançar: “Eliminar a homofobia e uma lei de identidade de género.” Os pais de Tiago Lopes também passaram pela marcha e disseram ao dezanove que tinham vindo “apoiar o nosso filho.” Para a mãe, “a felicidade dele é que conta. Imagino o que ele deve ter sofrido, bem que podia ter-nos contado antes”. O pai acrescenta “compreendemos perfeitamente esta luta”. Orgulhosos, os pais da família Lopes concluem: “Os filhos homossexuais não são bichos papões, o importante é aceitar, haver liberdade e respeito para todos.”
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Notícia sobre a AMPLOS no Dezanove « amplos bring out
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