Nasci no ano em que a SIDA se passou a chamar SIDA. Quando ainda não se sabia o que a provocava. Primeiro foi o “cancro gay”, depois o “GRID” (imunodeficiência associada aos gays). A seguir conhecemos o VIH. E logo as campanhas moralistas impulsionadas pelo silêncio assassino de Ronald Reagan que proclamavam a SIDA como o “castigo” pelos gays serem gays – quem não se lembra da famosa frase “A SIDA cura a homossexualidade”? Já no final da década e inícios dos anos 90 vieram as mortes dos famosos, histórias de solidariedade e luta, o AZT e as grandes manifestações em Nova Iorque do Act Up.
Sou da “geração preservativo”. A que chegou à adolescência já sabendo o que era o VIH, como se transmitia e o que tínhamos de fazer para o prevenir. Nessa mesma altura ainda se morria de SIDA. Pensávamos a doença como uma sentença de morte. Assistíamos no cinema ao “Philadelphia” e víamos Freddy Mercury morrer diante de todos os ecrãs do mundo. De certa forma crescemos a pensar em sexo e SIDA, em SIDA e sexo, sem nunca dissociarmos um do outro. O sexo gay era ainda um grande “tabu” e motivo de chacota na escola e na universidade. E em cima disto tudo, a SIDA. O milénio acabou e novas realidades apareceram. Famosos a assumirem-se, o mercado rosa em ascensão, prides gigantes por todo o mundo, os primeiros beijos na televisão e as primeiras imagens sexualizadas no grande cinema. E depois o casamento, a adopção, direitos iguais nos grandes partidos dos governos. E ao mesmo tempo os novos anti-retrovirais e com eles a certeza de que já ninguém morre de SIDA – vive-se com o VIH.
Mas o VIH não despareceu – as novas infecções voltaram a subir, sobretudo entre os gays. E com ele manteve-se o principal fantasma que nos acompanha desde o início da epidemia – o fantasma do medo. Sou da “geração preservativo” e isso quer dizer que sou daqueles que sempre encararam o sexo como “um perigo”. Cada acto, cada atitude, cada comportamento que suscite dúvida traz consigo dias e semanas de angústia, à espera de um resultado que vai mudar o nosso futuro. Não, não sou de ferro nem sou SEMPRE perfeito. Não somos infectados porque temos muitas relações desprotegidas – somos infectados porque temos uma única relação desprotegida. Basta uma vez, uma falha, um desleixo, uma noite de Verão ou um copo a mais. Quem nunca, nunca??? Este medo tolhe-nos, vulnerabiliza-nos e rouba-nos o gozo pleno daquilo que faz parte indispensável das nossas vidas: o sexo.
O preservativo? Claro, só quem nunca o usa é que acredita que ele é infalível! Hoje já sabemos que ele só funciona em 70% dos casos – dizem-nos todos os estudos feitos sobre adesão no mundo. Esquecemos? Algumas vezes. Usamo-lo mal? Muitas vezes. Rompeu? Ocasionalmente. Saiu do sítio durante o sexo? Já aconteceu. Bastava apenas uma destas vezes para sermos infectados. Para haver sexo, têm de existir pelo menos duas pessoas e o preservativo depende também do outro, não é uma escolha só nossa – afinal quem se esqueceu? Fui eu? Foi ele? E assim passamos a ser três a negociar na cama: eu, ele e o medo!
Então e se aparecesse uma coisa que me protege de uma forma muito eficaz, não depende do outro mas apenas de mim mesmo, não precisa de ser lembrada, planeada e pensada no momento mais “quente” em que estamos vulneráveis – durante o sexo, não rompe, não sai do sítio e não é preciso saber “usar”? Pois essa coisa já apareceu. Chama-se PrEP e consiste apenas na toma de um comprimido por dia. Tem efeitos secundários como qualquer medicamento, aliás como a própria pílula anti-conceptiva ou o Ben-u-ron. Não protege contra outras infecções de transmissão sexual, mas nada me impede de a usar em conjunto com o preservativo – pelo menos quando este falhar, estará lá a PrEP para me proteger. E, ao contrário do VIH, as outras infecções têm cura! Acima de tudo a PrEP está aí para nos ajudar a eliminar o medo. Basta de viver a minha sexualidade coartada com medo da infecção. Quero estar protegido, sabê-lo e viver a plenitude das minhas relações com todo o prazer e felicidade a que todo o ser Humano tem direito.
A PrEP devolve-nos dignidade e poder sobre os nossos corpos. Dignidade porque nos liberta deste medo permanente da infecção, porque nos torna completos na nossa sexualidade. Poder porque é uma estratégia individual que depende apenas de nós mesmos e de mais ninguém. A PrEP é uma responsabilidade única e pessoal e isso dá-nos autonomia e auto-determinação nas nossas escolhas. Permite-nos tomar decisões sobre os nossos próprios corpos e sobre o que fazemos com eles sem a interferência dos outros.
A PrEP não está disponível em Portugal, apesar de estar actualmente recomendada pela OMS, pelo CDC, pela EACS entre muitas outras autoridades mundiais de saúde. Mas eu decidi não esperar por Portugal: encomendei PrEP online e fui ao CheckpointLX para manter seguimento médico. Não quero adiar a plenitude da minha vida sexual mais semanas, meses ou anos, à espera que as nossas autoridades de saúde façam aquilo que forçosamente vão ter que fazer mais tarde ou mais cedo.
Comecei a fazer PrEP porque quero manter-me VIH negativo, é óbvio. Mas também comecei a fazer PrEP porque ela representa uma revolução na vida sexual de cada um de nós. Para acabar com o medo, adquirir autonomia e ganhar dignidade. Para ter uma vida sexual plena, responsável, livre de grilhões.
Muitos de nós lutaram muito para se libertarem da “culpa” de sermos gays. Está na hora de nos libertarmos do medo de termos sexo!

Bruno Maia, sob PrEP desde 1 de Dezembro de 2015



39 Comentários
André
Falta somente mencionar o preço absurdo da encomenda
Bruno Maia
Caro André: fica em 160€ para 3 meses! Cerca de 50€ por mês! É muito? Seguramente! Mas não lhe chamaria absurdo!
Luis Eduardo
André, realmente o preço do Truvada é absurdo. No brasil iniciei um estudo PrEP que fornece gratuitamente o medicamento pela rede pública, em parceria com a Fiocruz. prepbrasil.com.br
Jose
Não acho de todo um bom artigo de opinião.
Começa muito bem, mas não acho q seja o Prep algo inovador, para uso geral ou muito menos de comparticipação pública.
É um ou a junção de alguns anti-retrovirais, os mesmo que se utilizam no tratamento crónico do HIV.
Como o modo de apresentação é diferente, à luz da lei é um medicamento “novo” e como tal várias x mais caro que a toma das suas partes em separado.
Não acho de todo que seja uma luta contra o medo ou igualdade de hetero/gay. Acho sim uma comodidade um luxo, que quem quer/pode tem há disponibilidade, agora não para que o estado social o tome como uma necessidade básica.
E se os anti retrovirais vieram a mudar como nos sentimos face ao HIV tb foi esse mesmo sentimento de Segurança que faz os números aumentar e, mais uma x, no meio do mundo gay! O mesmo que mais reivindica este medicamento.
E se na crónica diz que toma Prep para o prevenir em conjunto com o preserva, sabe-se que o Prep é usado para relações desprotegidas! Ora se a sua eficácia é de 85-90% o preservativo tem uma taxa maior de 70% (contrariamente ao que diz aí no artigo), e claro 85% é algo considerado muito falível em medicina (100-sao 15, 1000/150, 10.000.000/1.500.000!, a grandiosidade)
As pessoas simplesmente querem ter o luxo de não ter um, ou poder pinar quando lhes apetece sem pensar se têm ou não, em parar e colocar.
Além de mais eficaz que o Prep, sem efeitos secundários, com protecção contra outras DST (que tb podem matar! Dado q os números de resistências atingem os 85% na gonorreia/chlamydia e a sífilis, que tanto passa despercebida (muito normal), atinge ao final de 20anos neuropatias irreversíveis.
Pode tar disponível como um complemento, para quem o quiser, agora sou contra uma generalização deste medicamento como o “santo gral” da “queca sem preocupação” e muito menos de igualdade/respeito pelos gays.
Pois fará sim, os números de contágios aumentarem. Pois se até hoje com a medicação, igual ao Prep e que é gratuita, temos os números a aumentar!
O q se supõe é que os Gays simplesmente não andam a tomar a medicação e a nao se protegerem, com um medicamento que custa menos de 1€/grátis em qq centro saúde.
O Prep é caro, altamente falível, inúmeros efeitos secundários (fígado, medulares, lipodistrofia) não protege contra as outras DST de prevalência superior e leva à toma de comportamentos de risco.
É a minha opinião
João
Subscrevo plenamente, até por experiência própria, se tomarem os retrovirais os HIV é praticamente intransmissível. .portanto cuidem se e a mim isto parece me um spot publicitário e simplesmente ridículo como tal.
Anónimo
Não acho absurdo tomar PrEP, acho que cada um é responsavel pelas suas decisões e ninguem pode criticar a do autor deste artigo, mas acho absurdo compará-lo à toma de paracetamol, pois é de longe tao inócuo. Doentes sob TARV têm de ser seguidos não so pela infecção mas tb para vigilancia de efeitos secundarios da medicação que não sao assim tao poucos. Por outro lado sinto que a generalização da PrEP vai dar lugar ao sexo despreocupado, vai ser uma especie de falsa rede de segurança. “Esqueci-me do preservativo, bem não ha problema porque agora tomo o PrEP”… Vende-lo como um produto milagroso e infalivel não só é errado como irresponsável.
Pedro Pais
Atenção pessoas!
Em Portugal ainda não existe tal medida de prevenção – PrEP infelizmente. Não há regulamentação para tal. Ela seria uma ótima opção para homens que fazem sexo com outros homens. No entanto, quem quer realizar este tipo de tratamento corre imensos riscos: Ou compra pela Internet, não assegurando que está a tomar o principio ativo do Truvada – um relatorio do INFARMED realçou ultimamente que 80% dos medicamentos comprados via Internet eram falsos.
Ou então tem acesso por intermédio de pessoas que estão em tratamento do Truvada, e que lhe venderam, o que é preocupante, porque a administração das farmácias deste medicamento é limitada e se alguém tem acesso ao Truvada por intermédio de outrem, quer dizer que esse outrem tem dias em que não está a tomar a sua medicação e a fazer o seu tratamento, o que é preocupante.
Acho absurdo este tipo de artigos de opinião no dezanove, que apesar de serem motivadores de algo que concordo, que é o acesso ao PrEP, em Portugal tal não ser possível. Se vejo um português dizer que o está a fazer, é porque há outra realidade por trás que não está a ser contada! Não caiam no engodo.
Bruno Maia
Caro José: 23596201/
Não percebo “o uso das partes em separado”! O medicamento é o mesmo, chama-se Truvada e custa o mesmo. A única coisa que falta é o Infarmed aprovar o seu uso para profilaxia – o preço mantém-se o mesmo! Claro que importá-lo é só para quem pode: eu pago 160€ para 3 meses. Não lhe chamaria um luxo, mas de facto o que eu espero é que ele esteja disponível comparticipadamente para quem precise dele; Nos EUA já existe experiência com prep há 5 anos. A cidade de S Francisco declarou este ano que depois destes anos de uso tem 0 novas infecções entre as pessoas que usam prep! Não há nenhum “desleixo”, há mesmo é redução no número de novas infecções. São factos, não são opiniões pessoais. o preservativo tem uma taxa efectiva de 70% no sexo anal (vide CDC, OMS e se ainda quiseres faz uma pesquisa na pubmed sobre adesão ao preservativo entre MSM). Mais uma vez são factos não é uma opinião pessoal. Não sei onde foi buscar essas taxas de resistência à gonorreia e à clamídia. Em Portugal não são de certeza. Não existe nenhuma resistência documentada à gonorreia em Portugal (consultar a DGS). Existe um caso de clamídia resistente documentado por nós no checkpointLx em 5 anos de trabalho: provavelmente importada do Reino Unido. E já agora, diga-me lá quem, em Portugal morreu de CLamídia ou gonorréia – isso simplesmente não é verdade! O Truvada não dá lipodistrofia, nem supressão medular. Isso é o AZT e já quase ninguém usa!
“Pois fará sim, os números de contágios aumentarem. Pois se até hoje com a medicação, igual ao Prep e que é gratuita, temos os números a aumentar!” Que medicação é essa?????? O prep NÃO é altamente falível! Tem uma eficácia superior a 99%, demonstrado em multiplos estudos multicentricos realizados nos 5 continentes ao longo dos ultimos 10 anos (ver o iPrexa, o Proud, o IperGay, etc…). POR FAVOR: eu respeito a sua opinião e ela é tão válida quanto a minha, mas antes de lançar percentagens e factos, averigue primeiro! Caso contrário a sua opinião é só desinformação. Estarei disponível para lhe fornecer todos os dados que refiro aqui. Ou então pode ir a nossa página: https://www.facebook.com/groups/15003830
POR ÚLTIMO: Enquanto homem informado e esclarecido sobre DST’s (faço consulta disto há 5 anos) afirmo sem MEDO: EU QUERO TER SEXO SEM PREOCUPAÇÕES!!! Sim eu quero poder pinar quando me apetece, sem ter de pensar em colocar o preservativo. Eu quero e tenho direito a esse “luxo”. E se há algo que o permite e me deixa seguro, eu vou fazÊ-lo. O sexo não é um pecado. O sexo não tem de ser só responsabilidade. O sexo +e PRAZER e eu quero disfrutá-lo ao máximo. Se a prep mo permitir…. que bom que será!!!!!
Bruno Maia
Caro Pedro Pais:
Certamente leu o artigo na diagonal. Eu importo o medicamento da Índia – não há nenhum engodo. É um genérico produzido pela Cipla (farmacêutica Indiana) e, como certamente sabe, a Índia quebrou a patente do Truvada há já muitos anos, contra todas as leis internacionais e não caiu nenhum meteorito na Terra por causa disso – pelo contrário, os Indianos passaram a ter acessibilidade ao tratamento.
Certamente existem medicamentos contrafeitos vindos da Índia. Mas acha que eu não iria averiguar primeiro a fiabilidade desta marca? Está testada múltiplas vezes no Reino Unido, em indivíduos a fazer prep, cujos níveis sanguíneos têm sido sempre os adequados.
Deixo aqui o desafio: investigue o meu currículo e veja a minha lista de “incompatibilidades”: Bruno da Cruz Maia, CC nº 12077086, inscrito na ordem dos médicos com o número 46364
Anónimo
“eu quero poder pinar quando me apetece, sem ter de pensar em colocar o preservativo”, Esse é precisamente o tipo de mentalidade que é responsavel pelo aumento de DSTs entre a população homossexual…
Bruno Maia
Caro anónimo:
Como pode verificar no artigo que escrevi, eu sou seguido numa consulta médica, onde faço as análises e os testes considerados pelo CDC e pela OMS como necessários para quem está a fazer prep. NA nossa página, na secção das FAQs pode encontrar informação clara sobre o assunto: https://www.facebook.com/groups/15003830 23596201/
Queira aqui deixar um apelo a todos: procurem o vosso médico ou especialista na área do VIH antes de falarem sobre efeitos secundários. Regra geral o que tenho lido e ouvido está desactualizado e não se aplica aos novos antirretrovirias. O perfil de efeitos secundários é totalmente diferente dos antigos medicamentos para o VIH. Eu pessoalmente não nenhum efeito secundário com esta medicação. E quem os faz para tratamento há vários anos, pode seguramente deizer o mesmo. Não quero dizer que eles não existem, mas porra, o que é que não tem efeitos secundários? Desde o mais simples analgésico a qualquer erva ou chá “natural”? Até os cogumelos podem matar.
Por fim, caro anónimo, é mesmo sexo despreocupado que eu quero ter. E se eu estou ciente dos meus riscos e existe algo que me pode ajudar a encarar o sexo como algo “despreocupado”, qual é o problema? Já chega de culpa, medo e preconceito que durante tantos anos esta sociedade nos impôs a nós “gays” por sermos quem somos e por fazermos o que fazemos. Basta de moralismo, pois se sabemos uma coisa, hoje em dia, é que o moralismo nunca ajudou a reduzir riscos, pelo contrário, aumentou-os.
Anónimo
A minha opinião é que não deve ser comparticipado.
Os contribuintes têm nada que pagar a promiscuidade.
AL
Caro Bruno Maia
O seu artigo de opinião original (PrEP) é um assunto pertinente que está a ser tratado em Portugal de acordo com as novas directrizes para o HIV e cujos resultados serão tornados públicos muito brevemente. Obrigado por partilhar o seu ponto de vista com o público: pensou no impacto moral associado a uma tal mudança de comportamentos, que adviria de uma alteração radical da percepção do risco ?
Claro que a decisão de fazer PrEP, bem como qualquer outro tipo de profilaxia não comparticipada pelo SNS, está intimamente ligada ao custo associado… Fiquei admirado com o custo (baixo) que menciona de 50 EUR: como/onde é que compra 30 comprimidos de Truvada (Gilead) por 50 EUR ?! Está seguro de que o que está a tomar é de facto (200 mg de emtricitabina e 245 mg de tenofovir disoproxil) ?
AC
Miguel Martins
Não posso deixar de concordar com o post inicial do Bruno Maia. A questão da PrEP é emergente numa sociedade em que o VIH, apesar de se ser uma doença crónica com tratamento disponível, mesmo não sendo curativo, e até PPE (profilaxia pós-exposição), continua a ter muitos novos casos de infeção mundialmente. A questão aqui não tem a ver com a orientação sexual, apesar de ser constantemente enfatizada a questão do contágio via HSH. É certo que em Portugal o aumento de novas infeções está na sua maioria ligada aos HSH. No entanto as outras formas de contágio também continuam a ser pertinentes, pelo que a toma de PrEP deve ser algo que interessa tanto os homossexuais, como os heterossexuais.
Ainda para mais “o querer pinar sem usar preservativo” estende-se a todos os seres humanos, não obstante a sua predileção sexual. Penso que todos quereríamos um Mundo em que pudessemos manter atividade sexual sem que as IST fossem uma constante preocupação. Sendo médico, eu próprio, já passei por várias situações em que mulheres e mesmo homens de meia-idade ou mesmo idosos descobriram que eram seropositivos sem sequer suspeitarem disso. Não é uma realidade que ataca apenas os homens gays e isso é algo que tem de ser clarificado.
Voltando à questão da toma de PrEP, é um ato voluntário. Cada pessoa quando toma uma dada medicação deverá estar consciente dos seus efeitos adversos e consequentemente deverá ter um seguimento médico adequado (o que é precisamente o que o Bruno Maia refere na sua publicação). Haverá sem dúvida pessoas que não serão elegíveis para fazer PrEP a longo-prazo, mas muitas outras poderão fazê-lo com segurança. Porque não? Porque temos medo que se torne uma medicação mágica que, tal como foi já referido num post anterior, se torne numa solução fácil quando não se tem/quer usar preservativo? Falemos então no caso da pílula do dia seguinte!!! Quando foi autorizada pela INFARMED não haveria também o receio que este medicamento fosse considerado em último caso um método de contraceção e que isso fizesse com que houvesse abuso do mesmo?? Talvez! As mulheres podem e usam este medicamento. No entanto, apesar de não poder assegurar-me disto com toda a certeza, decerto não a utilizarão em todas as suas relações sexuais para prevenir a concepção (no caso de não fazerem outro tipo de contraceptivos). O que acontece é que hoje-em-dia INFORMAÇÃO È PODER!! E a carência disso é o que mina a utilização correta do PrEP e quem sabe até a pílula do dia seguinte.
Concordo, então que a PrEP seja um medicamento que deva ser disponibilizado em Portugal, mas que seja paralelamente feito um tipo de sensibilização em termos de saúde pública bem maior de que é feito até agora. Já existe propaganda mas não chega de todo. As pessoas têm de saber o que é, para quem é, e para que serve este medicamento, sem que o tenham de ler em sites online dúbios ou nas bulas do próprio medicamento.
Para finalizar deixo só uma reflexão no que diz respeito à questão também famigerada sobre a “promiscuidade sexual”. A dita promiscuidade é algo que diz respeito a cada indivíduo e apenas a si. Muito boa gente não parecer que o é e vice-versa. Se começarmos namoro com alguém que não saiba que é seropositivo, que esteja em período de janela, que tenha supostamente comportamentos de risco…será que toda a gente vai esperar os 3 meses para ter qualquer (mesmo qualquer) tipo de atividade sexual? Alguns fá-lo-ão, outros nem tanto…O PrEP poderá auxiliar esses “outros” a terem uma alternativa duplamente segura em conjunto com o preservativo.
Quem quiser fazer PrEP sem outro tipo de proteção…então não deve estar plenamente consciente do risco que continua a correr. Em caso contrário, o mesmo vive a sua vida emocional e sexual duma forma mais segura. Queremos mesmo negar isto aos Portugueses? ao Mundo??
Anónimo
Errado!
Este é o tipo de comportamento de risco que, realizado de plena consciência sem proteção de qualquer tipo ou conhecimento do estado de saúde prévio, é responsável pelo aumento de IST entre a população MUNDIAL, irrespetivamente à sua orientação sexual!!!
João Barbosa
Oh Bruno, era melhor nem ter comentado, isto vai para aqui uma mistura de temas que muito possivelmente passe uma mensagem errada.
Para começar acho que este artigo carece de algumas referências bibliográficas. Já sei que se trata de um artigo de opinião, mas acho que tendo feito referência a que é médico a sua responsabilidade é acrescida quando se chega a tantas pessoas que possam ter menos informação sobre o tema. Não explica nem a sigla PrEP…
Tenho que reconhecer que não sou nenhum experto no tema mas pelo que li, em geral, não se fala em nenhum sítio que o objetivo seja em fazer a profilaxia como uma maneira de alterar os comportamentos sexuais. Dito de outra: o objetivo não é que possa fazer sexo sem preservativo (o sexo “despreocupado” de que fala)! Pensando matematicamente, se tiver 10 vezes mais sexo sem preservativo terá maior risco de contacto (não contagio) e uma vez que o Truvada não é infalível, não estará a modificação do comportamento a contrarrestar o efeito da profilaxia?
Quanto às outras IST, realmente são quase sempre curáveis (sempre e quando sejam diagnosticados e tratados, o que bem sabe, nem sempre acontece)…e se falarmos apenas dos dois exemplos que deu.
Para si o HPV, o herpes virus, a sífilis não existem? O herpes que eu saiba não tem cura. Gostava de saber o pensaria qualquer médico de Saúde Pública sobre essa sua banalização das IST…
Por fim, o medo ao HIV como condicionante duma vida sexual plena não é uma realidade exclusiva dos homossexuais, isso é um argumento ridículo. Não conheço heterossexual algum que queira ser seropositivo.
Anónimo
Exacto, os contribuintes têm que pagar a promiscuidade. Ao contrário da banca.
Anónimo
Caro Bruno: 50€/mês é muito tendo em conta que em Portugal muita gente (o que obviamente inclui pessoas LGBT, até numa percentagem maior) não chega a ganhar 500€/mês.
Bruno Maia
Olá, mais uma vez 🙂
Dois pontos fundamentais:
1º- Como rapidamente percebemos pelos comentários, a questão da prep levanta uma importante discussão sobre autonomia e escolhas. A forma como vivemos a nossa sexualidade está impregnada de conceitos e aprendizagens que radicam a sua origem em preceitos judaico-cristãos. Aprendemos que o sexo é culpa e vergonha, deve ser “escondido” e estar submetido a uma série de regras aceitáveis – só em monogamia, só de determinada forma, só assim ou assado. Para os gays tudo se torna ainda mais complexo, quando adicionamos discriminação, pecado ou “doença” à equação. Claro que existiram os “anos 60”! Mas também apareceu a SIDA e com ela a dita “responsabilidade”. Promiscuidade é um comportamento de risco, têm-nos dito. Responsáveis são os casais, a fidelidade,a normalização. Qual é o problema disto? É que nada disto é verdade para muitos de nós (não para todos, talvez não para a maioria, mas para muitos). E este discurso da “responsabilidade monogâmica e fiel” atirou-nos para uma marginalidade “irresponsável” que dificulta qualquer estratégia preventiva dirigida a diminuir os riscos. Isso retira-nos capacidade de decidirmos por nós mesmos. Retira-nos autonomia. E é uma forma de pensar e agir conservadora, moralista e “castigadora” da diferença. E se há algo que sabemos em 2015, é que as estratégias desta índole foram sempre mal sucedidas (lembrem-se das drogas, da pílula do dia seguinte ou do aborto) quando falamos em redução de riscos. Impôr a monogamia ou a fidelidade como contraponto aos promíscuos “que querem pinar sem preocupações”, é o mesmo que dizer às mulheres que se forem boas donas de casa, fieis e bem comportadas não precisam da pílula para nada – porque raio há-de o Estado comparticipar a pílula das mulheres se elas podem evita-la com “bons costumes”? Pois é precisamente dando autonomia e capacidade de escolha às pessoas para decidirem sobre a sua própria vida que se conseguem os melhores resultados – responsabilizando-as pela sua própria vida. Exemplo disto? A própria prep! Todos os estudo com prep (iPrexa, Proud, iperGay) demonstraram que os indivíduos que estavam a tomar prep tinham maior tendência para usar preservativo e testarem-se mais vezes para as restantes DST’s do que os seus comparadores. Ou seja, oferecendo a escolha da prep aos ditos “irresponsáveis” e “promíscuos”, estes mostraram-se, afinal, os mais responsáveis, os mais bem preparados para uma vida sexual plena e segura. Não, não são as pessoas que falam abertamente de sexo e querem “PODER pinar quando lhes apetece, sem ter de pensar em colocar o preservativo” (é uma questão de ter a possibilidade de… e não de a querer fazer sempre) as responsáveis pelo aumento das IST’s. Essas são as ditas “irresponsáveis” que mais aderem às medidas de prevenção. Mas são os discursos do “Os contribuintes têm nada que pagar a promiscuidade” que acabam por dificultar as estratégias de implementação da prevenção para todos. É este tipo de mentalidade moralizadora, castradora que tem origem na “culpa” e no “castigo”, propalada pelos “ditos responsáveis” que acaba por afastá-los das medidas de prevenção. Porque raio se haviam estes de se proteger se são “perfeitos, monogâmicos e bem comportadinhos?” Não eram precisos estudos para nos dizerem que o mais hipócritas e moralistas são também os maiores “transgressores” da sua própria filosofia. Mas já agora os dados destes estudos mostram-no de forma mais objectiva.
2. Eu não quero continuar a importar Tenvir EM da Índia. Eu quero fazer Truvada (Gilead) e ter acesso a uma consulta completa de saúde sexual, onde possa ter acesso a análises, testes e aconselhamento. Quero para mim e para todos. Pois essa é a estratégia que tem demonstrado resultados. Não sou eu que o digo: é a OMS, o CDC e todas as grandes autoridades de saúde mundiais (querem bibliografia vão às paginas de internet destas instituições). Ou então perguntem directamente ao presidente da associação mundial de epidemiologistas, Henrique Barros, Português e o primeiro a apresentar resultados sobre a eligibilidade de HSH em Lisboa para realizarem prep – são 80% dos nossos HSH que deveriam estar já a fazer prep pois encontram-se em alto risco de infecção por VIH (ou então somos 80% de promíscuos e irresponsáveis…)
Anónimo
Boa noite. Mesmo dentro da comunidade médica penso que não existe consenso. Sendo também médico preocupa-me seriamente a banalização do PrEP. Acho que pode ser um complemento importante mas que pode ser interpretado e entendido por muitos como alternativa ao preservativo. Ora nem sendo infalivel nem protegendo de outras ISTs (herpes, HPV, sifilis, gonorreia, etc) o aumento destas doenças pode ser uma realidade muito possivel!
Sim todos sabemos que estas doenças não sao contraídas so por gays, mas por alguma razão a sua incidencia está a aumentar muito mais nos homossexuais que nos heterossexuais. Não tapemos o sol com a peneira, os homossexuais são mais promiscuos, é um facto, e sites sociais como grindr, hornet e outros vieram aumentar isto.
Antes de ser mal interpretado, resumo a minha opiniao:
PrEP + preservativo = sem duvida!
PrEP para “poder pinar à vontade” ou “despreocupadamente” = um grande não!
Anónimo
Qual é o mal de “pinar à vontade”?
Vítor E. santo
Sim, porque tudo o que queremos é toda uma comunidade gay toda on Prep Como acontece nos Estados Unidos…bora tomar o medicamento diariamente (afinal que diferença para um HIV+ que tb tem que o fazer)? Claro que a invocação do argumento liberal da imposição de monogamia tinha tb de vir ao de cima…Como se isso tivesse alguma coisa a ver! Bruno, Tem a liberdade de fazer sexo sem preservativo se assim o desejar, é a sua vida. Agora é preocupante trazer a sua agenda pessoal, em particular como representante do Check Point para um comportamento irresponsável.
Anónimo
Porque é que a divulgação de um novo (e complementar) meio de prevenção, ou o desejo de uma sexualidade com menos medos e fantasmas, é uma “agenda pessoal” do Bruno Maia? Parece-me antes que lhe devemos agradecer a sinceridade que com se expõe pessoalmente para fazer um trabalho de prevenção que é do interesse geral e em benefício da saúde pública.
Miguel R
Sejamos francos, há uma fatia percentual de homens – gays ou não, nem interessa porque sexo é sexo e uma pila é uma pila – que não usa preservativo uma vida inteira, porque não quer. a existencia de PrEP não vai mudar o mindset dessas pessoas, feliz ou infelizmente, e quem não se quer dar ao trabalho de meter um preservativo quando tem sexo – o que suponho não ser diariamente, embora admita não ser o melhor candidato para fazer essas estimativas – não se vai dar ao trabalho de tomar comprimidos todos os dias.
Não duvido que seja um descanso ter essa salvaguarda, e acho que é uma “inovação” – que já se tem vindo a ouvir falar mais e mais pelos canais noticiosos – que ajuda na proteção, mas sendo realista, a pessoa average por cá ainda teria alguma dificuldade em ter essa despesa com um ordenado a rondar os 500 euros e contas para pagar.
O que eu acho que vai acontecer quando o PrEP atingir o seu auge de popularidade, é provavelmente o aumento de exposição a outras DST, contra as quais ele não tem efeito – por agora, não sei quais os avanços que um fármaco pode vir a sofrer no futuro – e sendo que já há pela net vários testemunhos de homens que simplesmente deixaram de usar o preservativo quando começaram a tomar o PrEP.
É uma espada de dois gumes por enquanto.
Ricardo Fuertes
A PrEP já está disponível nos EUA (e em breve em França), nos cuidados de saúde convencionais. Foi desenvolvida porque existe essa necessidade (as pessoas infectam-se). O Bruno podia ter começado a fazer PrEP e não dizer nada a ninguém. Está a divulgar como forma de mostrar que é necessário criar o acesso para todos. E depois disso só usa quem quer. Nenhuma opção de prevenção é para sempre (posso decidir usar só durante uns meses) nem para todos.
ps. E gostava de ver os activistas pela prevenção/rastreio/tratamento das ISTs a mexerem-se pelo acesso a consultas de doenças sexualmente transmissíveis.
Miguel Rocha
A todos, sou enfermeiro de saúde pública, registado com a cédula 62172. Trabalho na área da prevenção de VIH com e para homens que têm sexo com homens desde 2012 no CheckpointLX.
O Bruno Maia decidiu usar a profilaxia pré-exposição porque entende que é a melhor estratégia de prevenção para gerir o prazer do sexo e o risco de infeção por VIH na sua vida, sem ter que negociar/depender de terceiros. Isto tem tanta legitimidade como alguém decidir usar a pílula anticoncepcional porque entende que é a melhor estratégia de prevenção para gerir o prazer do sexo e o risco de engravidar, sem ter que negociar/depender de terceiros.
Tem o meu apoio profissional na autodeterminação e os meus parabéns pessoais por se emancipar da responsabilidade de outros na gestão do risco de transmissão de VIH! #StartHIVEmancipation
João Brito
O grau de iliteracia sobre a PrEP ainda é enorme, mas são os contributos como o do Bruno e alguns dos comentários que estão contribuir para o debate.
O direito à PrEP é o direito à autodeterminação de usar um método de prevenção que se revelou eficaz. Este direito não pode ficar refém de juízos individualistas que entram em contradição com a evidência cientifica resultante dos estudos realizados.
“Pinar”… que bom!!! Seja apenas com 1 ou com muitossss, devemos ter o direito de escolher o método de prevenção que mais se adequa a cada um de nós.
Joao brito
sendo médico deveria saber que os HSH são mais vulneráveis à infecção não apenas pelo numero de parceiros mas por outras questões que se relacionam com a sua anatomia e factores geográficos da distribuição da infecção, etc, etc
João Brito
Sr. Vitor E. Santo nos EUA desde que a PrEP foi disponibilizada, em 2012, encontram-se apenas 25.000 pessoas a utilizar este método de prevenção.
A justificação que a PrEP é apenas para os que a desejam ou que têm a coragem de assumir que o método de prevenção apenas como recurso ao preservativo não serve as suas necessidades.
João Brito
Sr. Vitor E. Santo nos EUA desde que a PrEP foi disponibilizada, em 2012, encontram-se apenas 25.000 pessoas a utilizar este método de prevenção.
A justificação que a PrEP é apenas para os que a desejam ou que têm a coragem de assumir que o método de prevenção apenas como recurso ao preservativo não serve as suas necessidades.
Ricardo Camacho
Alguns factos:
1. O Truvada não provoca lipodistrofia nem supressão medular. O Tenofovir (TDF), componente do Truvada, provoca insuficiência renal e diminuição da densidade óssea. Há uma nova formulação do Tenofovir que tem muito menos efeitos acessórios (TAF), mas que não está ainda disponível em combinação com a emtricitabina; quando estiver, receia-se que seja substancialmente mais caro.
2. O Truvada, para utilização na PrEP, não está ainda disponível em Portugal porque ainda não foi aprovado para esta utilização na Europa. Não tem nada a ver com as nossas autoridades. O facto de o tenofovir estar quase a perder a patente na Europa (será já em 2017) pode estar a inibir a Gilead Sciences de efectuar a submissão à Agência Europeia do Medicamento.
3. A eficácia da PrEP tem sido alta, na maioria dos estudos efectuados até agora. No entanto, em estudos com um follow up longo, como o IPrEx, a eficácia foi diminuimdp com o tempo: muito alta nos dois primeiros anos, razoável no 3º ano, menos eficaz no 4º ano e mínima no 5º ano. Um caso para reflexão.
Ben Nevins
Será o Truvada seguro quando se tem uma Doença de Comportamento Autoímune como a Doença de Crohn ?
– Não estou a tomar Imunomodulares, sou um pouco avesso à Ideia, pois o meu Sistema Imunitário apesar de estar a trabalhar contra mim É o meu melhor Aliado.
– Só tomarei Imunomoduladores se não tiver justa alternativa, mas conto que quando essa altura chegar os Biológicos seja a Alternativa.
Cristina Andrade
Este é um processo importantíssimo e o artigo do Bruno Maia bem explica por quê. O acesso à PrEP é um passo de gigante e o trabalho que o Bruno Maia (bem como outros ativistas) vêm desenvolvendo é louvável. Toda a força para esta luta!
Mário
Estou de acordo e gostava de fazer o Prep e continuar a usar preservativo.
Sinceramente, acho a discussão muito importante ( e sem artigo do Bruno Maia, não havia discussão) mas acho redutor que se teçam comentários sobre a escolha de usar o Prep para não usar o preservativo. É a escolha de cada um, há quem faça sexo oral sem camisa e eventualmente acha que só apanha DST’s quando se trata de anal. Para esses, é útil saber que existe Prep, podem apanhar herpes e outras DST mas reduzem o risco de contrair o HIV porque tinham uma afta ou o parceiro ejaculou sem avisar.
Pessoalmente, namorei com homens sérios ( namoros longos a viver juntos ) e já namorei com dois homens que não eram assim tão sérios ( e não vinham marcados para eu os identificar) e não foi por ter comportamentos de risco que cada queca com os meus namorados seguintes se tornou campo de desconfianças ( é claro que isto permite uma série de respostas de criticas de gente q nao me conhece e que tem muitas ideias sobre os outros, mas é a verdade). Ao final de seis meses de namoro, o sexo oral era a base de uma série de perguntas e o sexo anal era uma série de medos ( ” sera que tirou a camisinha?” , “será que vai rasgar?”).a ponto de tirar grande parte do prazer do sexo. E, vamos lá ser honestos, se quem escreve os comentários mais moralistas são gays,… ou se tornaram castos, ou são virgens, ou fazem-no apenas para ter prazer.
E para mim, o PReP a ser possível e eficaz seria o complemento de uma proteção que sempre usei, o preservativo.
Mas aproveito para dar a minha opinião em relação à reacção ao facto do Bruno Maia querer pinar despreocupadamente. É que estando o BM protegido pelo Prep, a despreocupação dele será tb a do outro que foi pinar com ele sem se preocupar.
Não quero de todo por mais lenha na fogueira mas faz-me impressão ler comentários a atacar a escolha de alguém em se proteger ( até invocando questoes sociais e de suposto elitismo economico – o homem faz o que quer com o dinheiro dele!) mas depois as pessoas assumem de maneira pacata que quem fornica sem camisa em quartos escuros e outros sitios, fez a sua escolha. E não é comum verem-se grupos moralistas a manifestarem-se à porta dos sitios onde isto ocorre.
Por fim, se não fossem artigos destes e, no meu caso particular, as idas anuais ao diagnostico do checkpointlx, não faria ideia que havia um Prop, que é muito util saber-se que existe. após um acidente de camisinha rompida, de uma violação ou de penetração não consentida, que não são realidades assim tão imaginárias quanto isso.
Todos sabem, recorre quem quer.
Quem não sabe, não tem a hipótese de escolher.
Obrigado.
Anónimo
Obrigado.
Anónimo
Truvada sem qualquer dúvida que coloca sempre, se bem administrado, indetetavel, o que é diferente de negativo.
O Vih continua no nosso corpo.
Hoje em dia, a preocupação deixou de ser a carga virica, mas sim os nossos gloriosos cd 4.
E esses, depois de atingidos pelo Vih ,estão em constante sobe e desce.
Para além dos efeitos secundários serem a longo prazo bem notórios no nosso corpo.
Pelo preço, que é simplesmente mto baixo comparado ao que é praticado em Portugal, quase que me leva a pensar se é mesmo Truvada.
Normalmente que faz Truvada tem sempre outro medicamento associado.
Basicamente se são negativos , tomem Truvada e não usem preservativo…E vão ficar com a vossa Boa saúde toda fodida.
Preservativo sempre.
A sida e um atestado de óbito mais antecipado do que será esperado.
André
Só tenho a dizer que aqui o Dr. Bruno é muito giro e que gostei de o ver na reportagem
Jorge
Acho muito bem que todos tenhamos a possibilidade de escolha, é um facto e um direito que todos devíamos ter.
Mas, todos deveríamos ter também acesso aos casos de Gonorreia Simultaneamente (a todos os antibióticos disponíveis), muitos casos estão a ocorrer um pouco por todo o Mundo, com mais ênfase no Japão, China, mas com alguns casos em Espanha, França, Reino Unido, Maimi.
Sim há casos de pessoas que estão com a infecção por gonorreia sem cura, e até que surja novos antibióticos (existem 3 moléculas novas, uma delas em fase III de estudo, mas, que vale o que vale), e a infecção apesar de não matar (no imediato) vai causando estragos no organismo.
O herpes não tem cura… O hpv então esse é horrivel.
E falo com conhecimento de causa, é horrivel, e muito doloroso, pelo menos quem tem os tipos mais agressivos, tal como eu… E a cada 3 meses lá estou eu a fazer tratamentos, inclusive já duas cirurgias no anus e recto para retirar condilomas que cresceram e continuam a crescem todos os dias.
Não, não estou a ser moralista, quem nunca fez sexo sem preservativo? Quem nunca? Afinal sabe muito bem e quem diz o contrário está a mentir, mas temos de dar a conhecer a todos que todas as opções têm benefícios, mas também contra-indicações.
Até porque PREP é um medicamento, e todos os medicamentos, por mais modernos que sejam, a longo prazo causam efeitos secundários, é um facto. O truvada, a longo prazo causa perda de densidade óssea, e diminuição da função renal, caso contrário, os HIV positivos não teriam de fazer exames a cada 6 meses, com muita enfâse na função hepática e função renal.
Sou, assim, pela liberdade de cada um, e, o SNS deveria comparticipar todos os medicamentos, inclusive a PREP. Se comparticipa quem tem cancro por ter fumado a vida toda, porque não, proteger quem não quer ser infectado pelo Vírus do HIV?
Amigo
Tenho cautela com medicação alopática, até porque sempre possuem seus efeitos colaterais, enfraquecendo o organismo, nos tornando vulneráveis a toda “sorte” de virus e/ou bactérias! Sou pela cautela ao cogitarmos ter relações. Se queremos ser respeitados como os casais “convencionais” (os ditos hetéros) que busquemos namorar, convivermos como casal, quero poder ter e dar todo prazer que nós homens podemos nos proporcionar! No mais, buscar se for ter relação, estando na fase sem namorar, com aquela pessoa bem conhecida, amigo, para esses momentos mais intimos!