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Como desconstruir normas de género nas escolas. Um exemplo vindo de Valadares.

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Como as crianças da Escola Básica de Campolinho 1 receberam preparação para desconstruir as normas de género.

Em estágio na Escola Básica de Campolinho 1, Valadares, para formar pessoas técnicas de apoio psicossocial da Escola Profissional de Tecnologia Psicossocial do Porto, Pedro Valente e Beatriz Dias desenvolveram o projecto "Artigo 13.º: Princípio da igualdade" com o objectivo de desconstruir as normas de género na infância.

 

A liberação de todas as crianças das normas de género, dando a liberdade de se conformarem ou não com tais normas, é imperativa para o seu desenvolvimento saudável, com todas as suas potencialidades exploradas.
— Pedro Valente, Beatriz Dias (2021)


O projecto, que tomou o seu nome em referência ao respectivo artigo da Constituição da República Portuguesa, que protege a não discriminação em razão do género e da orientação sexual, dois dos temas trabalhados em projecto, foi recebido por turmas do primeiro e segundo ano no ano lectivo de 2020/2021 ao serem diagnosticados preconceitos baseados nas normas de género, baixos níveis de inteligência emocional e dinâmicas de vigilância de género.

Para combater estes problemas foram desenvolvidas várias actividades em que se trabalharam temáticas como a igualdade de género, a educação para a cidadania e a educação emocional, a diversidade de orientação sexual, identidade de género e expressão de género e diversidade familiar.

 

Legenda da foto inicial: Uma das actividades que desconstruiu as normas de género nos brinquedos.

Grande parte do projecto baseou-se no pressuposto que os estímulos apresentados às crianças moldam o que elas imaginam ser possível para pessoas como elas. As actividades contaram com vários livros e filmes que representam de maneira positiva crianças fora das normas de género, pessoas LGBTI e condutas de expressão emocional saudáveis de forma a reduzir a realidade anterior.

 

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Legenda: Foram realizadas mudanças no espaço físico das salas de aula das turmas para garantir que todas elas recebiam estímulos baseados numa visão de diversidade e igualdade de género.

 

Como resultado verificou-se uma redução significativa da reprodução dos preconceitos baseados nas normas de género, um maior nível de inteligência emocional, menor vigilância de género e maior fluidez na expressão de género das crianças. Segundo as pessoas criadoras do projecto, o que era antes visto como estranho - pessoas fora das normas de género - passou a ser visto como algo a ser celebrado e parte da diversidade humana.

“Estas descobertas são altamente encorajadoras, mostrando que as crianças começaram a mudar de maneiras que podem ter um impacto significativo mais tarde na vida. Mas o que mais nos impressiona é que todas estas mudanças ocorreram em questão de semanas, com apenas uma intervenção a cada sete dias. Se estas mudanças podem ser vistas num período tão curto, é impossível negar os resultados positivos que poderiam ser alcançados se as crianças fossem expostas à diversidade no que vêem, ouvem e leem diariamente, bem como trabalho para a educação emocional, inclusão e direitos humanos”, dizem Pedro Valente e Beatriz Dias.

 

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Legenda: Foram apresentadas diversas histórias que incluíam personagens LGBTI ou de outras formas fora das normas de género.

 

O criador e a criadora do projecto desafiam todas as escolas do país a realizar iniciativas semelhantes. “Considere-se onde a turma estava no início e onde ela está agora, e considere-se o potencial para o futuro de todas as crianças se isto fosse implementado em todas as salas de aula, em todas as escolas, diariamente. É por isso que nos orgulhamos tanto: é uma pequena mudança extremamente fácil de executar, mas as vantagens que temos a ganhar são enormes.”

O sucesso desta acção inspirou Pedro Valente a criar uma lista, em constante actualização, de conteúdo infantil com representatividade LGBTI e de crianças fora das normas de género.

 

 
 
 
 
 
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Uma publicação partilhada por Pedro Valente (ele) (@pedroattv)

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