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Mpox com transmissão comunitária em Portugal: sintomas, tratamento e vacina



Portugal registou transmissão comunitária da subvariante Ib do vírus da mpox. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram identificados 66 casos desta linhagem nas últimas seis semanas — o número mais elevado entre os países fora da África Central e Oriental.

Desde o início de 2026, já foram confirmados 282 casos em Portugal. Apesar do aumento registado sobretudo em Junho e Julho, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) indica que o número de novas infecções tem vindo a diminuir nas últimas semanas.

Mas o que significa transmissão comunitária? Como se transmite a mpox? Quais são os sintomas e quem pode ser vacinado? Reunimos as principais perguntas e respostas.

1. O que disse a OMS sobre a situação em Portugal?

Num relatório divulgado na segunda-feira, a OMS classificou Portugal como um dos países onde existe transmissão comunitária da subvariante Ib da mpox.

Nas últimas seis semanas, foram registados 66 casos desta linhagem em Portugal, mais do que em qualquer outro país fora da África Central e Oriental. Seguem-se a Alemanha, com 24 casos, a França, com 20, o Reino Unido, com 18, e a Irlanda, com 12.

Também foram identificados casos de transmissão comunitária da subvariante Ib na República Checa, Itália, Países Baixos e Suíça, sobretudo em redes sexuais de homens que têm sexo com homens e de profissionais do sexo.

2. O que significa «transmissão comunitária»?

A expressão significa que o vírus está a circular localmente.

Um país é considerado como tendo transmissão comunitária quando, nas seis semanas anteriores, pelo menos um caso confirmado não está relacionado com uma viagem recente nem com o contacto com uma pessoa proveniente de uma zona onde existe transmissão comunitária durante o período de incubação da doença.

A classificação não depende do número total de casos registados.

3. Como se transmite a mpox?

A transmissão ocorre sobretudo através de contacto físico próximo com as lesões ou com fluidos corporais de uma pessoa infectada.

O vírus também pode ser transmitido através de objectos e materiais contaminados, como lençóis, toalhas ou outros objectos de uso pessoal.

4. Quais são os sintomas?

A mpox pode começar com sintomas como:

  • febre;
  • dor de cabeça intensa;
  • dores musculares;
  • dores nas costas;
  • cansaço;
  • aumento dos gânglios linfáticos.

Posteriormente, é frequente surgirem erupções cutâneas ou lesões na pele e nas mucosas.

5. O que fazer se surgirem sintomas?

Perante sintomas compatíveis com mpox, deve evitar-se o contacto físico próximo com outras pessoas e procurar aconselhamento médico.

A DGS recomenda contactar o SNS 24, através do 808 24 24 24, ou um profissional de saúde. A procura atempada de cuidados é importante para permitir o diagnóstico e o acompanhamento adequado.

6. Existe vacina contra a mpox?

Sim. A vacinação contra a mpox está disponível através do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A DGS tem promovido a vacinação preventiva, ou de pré-exposição, dirigida sobretudo a pessoas com maior risco de exposição ao vírus.

7. Quantos casos foram registados em Portugal este ano?

Entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto de 2026, foram confirmados 282 casos de mpox em Portugal.

O número de infecções aumentou de forma mais significativa a partir do final de Maio, com maior intensidade durante Junho e Julho. No entanto, segundo a DGS, a tendência das últimas semanas é de descida.

8. Que variantes do vírus foram identificadas?

O clade I foi identificado em 80,5% dos casos confirmados em Portugal este ano.

A DGS identificou ainda 13 clusters — grupos de casos epidemiologicamente relacionados —, todos de pequena dimensão, com uma média de 2,4 casos por grupo.

Em nove destes clusters foi identificado o clade Ib, sete dos quais na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Considerando os casos acumulados na Europa, Espanha é o país com mais infecções associadas à subvariante Ib, com 241 casos, seguida da França (173), Portugal (162) e Alemanha (140).

9. Quem está a ser mais afectado?

A grande maioria dos casos registados em Portugal corresponde a homens: 97,9%, com uma idade média de 35 anos.

Entre os homens infectados, 81,2% referiram ter tido relações sexuais com outros homens.

A região de Lisboa e Vale do Tejo concentra a maior parte das infecções, representando 66,7% do total de casos.

10. A mpox tem provocado internamentos?

Sim, embora sejam pouco frequentes.

Até 31 de Agosto, 18 pessoas precisaram de internamento hospitalar, o equivalente a 6,4% dos casos confirmados.

A percentagem é semelhante à registada no mesmo período de 2025, quando 6,5% dos casos necessitaram de internamento.

11. Qual é o risco da mpox a nível mundial?

Numa avaliação rápida realizada em Agosto, a OMS considerou que o risco global associado à mpox continua a ser moderado.

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