Há alguns meses (já se falava da nova temporada do programa apresentado por Conceição Lino), fui contactado pela produção do “E Se Fosse Consigo?”. Procuravam casais do mesmo sexo com crianças a cargo que aceitassem dar uma entrevista à SIC. Hoje, finalmente, vi o episódio dedicado ao tema “Homossexualidade e parentalidade”, que me deixou com vontade de chorar, mas chorar de alegria!
– «É difícil ser criança, adolescente e jovem nos dias de hoje quando estão a formar a personalidade com estas confusões todas.»
– «Claro que existe preconceito, não é normal nem desejável, por que motivo deve ser aceite?»
– «Muito modernismo leva a subversão de valores e inevitavelmente ao caos!»
– «Estamos a acabar com este mundo com esta de tudo se pode. Não, nem tudo se pode.»
– «Então, quem é o pai e quem é a mãe? É uma pergunta simples!!!»
– «Já alguém viu dois galos a criar uma criança?»
– «Casal é homem e mulher. Isto sim é certo!»
Outros comentários há que são um pouco mais, digamos, “neutros”:
– «Há pessoas que não estão preparadas para esta nova realidade por causa da educação e/ou outras situações… nem todos temos a mesma abertura de espírito…»
– «Uma mãe solteira, de um macho hétero, que soube fazer mas não soube assumir, quem é o pai e quem é a mãe? Ah pois, está claro, a “sociedade” aceita melhor que a criança ande por aí aos empurrões enquanto a desgraçada se desdobra em dois…»
– «Tema muito complicado. É difícil abordá-lo de ânimo leve. Muito mais difícil porque envolve crianças.»
Por bem, também se vêem intervenções “optimistas” e positivas nesta rede social:
– «É pena ainda neste século haver pessoas que acham que o facto de os progenitores serem “homo” é algo que pode influenciar a decisão da criança, quando se deve é ver a felicidade da criança que precisa de amor, carinho e afecto.»
– «Vivemos no século XXI e a vida é curta demais. Temos é de nos unir e fazer o bem, só estamos de passagem!»
– «Cada ser tem o seu sentir! Cada ser escolhe a sua própria vida! Julgar? Não há para julgar. Há apenas para perguntar: É feliz?»
– «Muitos se esquecem que estes casais adoptam as crianças que os pais heterossexuais não querem. Isso sim é muito triste, serem abandonados pelos pais biológicos.»
– «Não vejo mal nenhum em um casal do mesmo sexo ter um filho. Conheço um caso e tratam melhor o menino que certos pais… Temos que mudar mentalidade…»
– «Com tanta criança necessitada de afecto é um desperdício andarmos com esta porcaria de preconceitos.»
– «Não tem de gostar… mas sim de respeitar!!!»
Infelizmente, não estou certo de que as reacções apresentadas no programa correspondam à realidade do nosso País. Parece-me que, numa determinada geração, há ainda muitos medos e muitos preconceitos profundamente enraizados.
Penso mesmo que o argumento mais comum é o eterno “uma criança precisa de um pai e de uma mãe”, porque a maioria de nós assim viveu. Esse argumento é fácil de “arrumar” com uma palavra: Amor.
Também, muito frequente, é ouvirmos ou lermos que “a sociedade não está preparada”… Mas a preparação faz-se… fazendo, ou seja, com a realidade do dia-a-dia, tal como as famílias que aceitaram dar a cara perante milhares/milhões de Portugueses!
Por outro lado, acho perigoso cair no erro de dizer que há crianças sem família porque casais de pessoas de sexo diferente as abandonaram. Não é esse o ponto, e existe muito mais para além e por trás disso.
Com muito ainda por dizer, espero apenas que o programa de hoje tenha chegado ao coração ou ao cérebro de alguém e que as famílias que aqui vimos sirvam de inspiração para muita gente!
Bruno Magina, escritor



Um Comentário
Amigo
Quando se pensa em pai e mãe, logo nos vem aquela cena a mente: da sensibilidade atrelada às mães e a racionalidade atrelada aos pais! A questão é: no mundo cada vez mais dinâmico em que os dois seguem carreira profissional será que essa construção do perfil de mãe e de pai, vigoram? Já ouvi de pessoas próximas a sensibilidade que eu tenho e “dosada” aplicada a cada momento: socialmente ou a dois, como por exemplo, incisivo ao aconselhar e afetuoso com quem necessitar pelo momento que estiver passando! Portanto, o titulo: “E se fosse comigo” era bem provável que eu fosse na base da criação a empatia, afetividade, esse aspecto definido ainda como feminino!