O Meu Amigo Freddy Krueger é um solo de teatro escrito, interpretado e encenado por André Murraças, inspirado na sua adolescência. Fala sobre um jovem nos anos 90 que se refugiava nos filmes de terror para fugir do mundo real. O espetáculo aborda temas como o bullying, a gordofobia e a homofobia através de um relato honesto sobre a vida nos liceus, a maldade dos outros e a dificuldade em lidar com a diferença em ambiente de escola. Ao encontrar um universo paralelo nos filmes Pesadelo em Elm Street, onde vivia uma personagem horrível – o terrível homicida Freddy Krueger, que atacava jovens estudantes, o jovem rapaz sentiu-se menos sozinho no mundo…
A partir de uma história de vivência e violência pessoal, trabalhar-se-á o tema
da adolescência num olhar de agora para trás. Que traumas causam as crianças umas às outras? Pode o terror cinematográfico ser
menor que o terror da vida real?
O lado queer volta a estar presente na criação deste autor. O estranho, o
diferente da sua adolescência é posto em contraste (ou equiparação) com a feiura da personagem Freddy Krueger – um mostro com a cara queimada que ataca jovens de liceu nos seus pesadelos e os mata por vingança.
A relação dos filmes de terror e o queer (enquanto leitura de transgressões, de
acontecimentos fora da normatividade heterossexual) é muito forte e existe
deste o início da história do cinema. Os monstros são imagens de marginais,
são a materialização do desejo e do sexo, são um alvo a abater. Mas são também figuras temíveis por muitos, inclusive por adolescentes.
Há um foco nesta comunidade jovem por ser grande consumidor de fenómenos pop, e
também por serem a imagem da passagem para a vida adulta para a vida sexual. Se muitos podem interpretar o medo destas personagens como uma espécie de receio pelo diferente (e, portanto, pelo queer), por outro lado, muitos adolescentes queer viam na aberração das personagens uma materialização de que não estavam sozinhos. E quando essas personagens têm super-poderes, ou são temidos pelos outros, isso dá-lhes uma sensação catártica de empoderamento.
Não há moral, não há medo.
Por contraponto, ao usar a ideia de que os filmes de terror de então, sobretudo os da personagem em questão, o salvaram do pior, o espectáculo terá uma mensagem de que é possível sempre encontrar uma saída e sentirmo-nos bem enquanto diferentes.
Este espectáculo está em cena no São Luiz Teatro Municipal de 19 Fevereiro a 1 Março, de quarta a sábado, às 19h30h; domingos, às 16h, na Sala Mário Viegas.


