Lisboeta de gema, Tomás cedo compreendeu que o seu caminho não se ditaria por uma única via, mas sim pelo cruzamento de múltiplas linguagens. Da Escola António Arroio às luzes da representatividade digital, Tomás faz da sua vida uma obra aberta onde a moda, a poesia e o activismo se cruzam. Mais do que um currículo, o que define a sua essência é uma vontade urgente de manter vivo o lugar infantil, curioso e livre. Essa nostalgia vibrante conduziu-o aos palcos da Escola Superior de Teatro eCinema e, mais tarde, ao universo estético da Moda na ETIC. Hoje em dia, Tomás move-se com a mesma naturalidade entre a lente de uma câmara e a concepção de um styling, entre a representação e a criação de conteúdos digitais. É neste diálogo constante, pautado por um profundo gosto pela vida, que se constrói um dos perfis mais dinâmicos e autênticos da actual cena criativa contemporânea.
Os seus vídeos surgiram como resposta a uma lacuna profunda: a falta de representatividade. Num mundo de moda que sempre idealizou como um reduto de liberdade, a realidade mostrava-se por vezes mais restritiva. Raramente as narrativas visuais incluíam corpos, identidades e sensibilidades que espelhassem a sua própria existência. Para Tomás, o sucesso não se mede em números, mas na profundidade das interacções que o seu trabalho gera, por serem momentos que atravessam fronteiras e gerações. De Bangkok, chegou uma rapariga com o único propósito de lhe entregar uma rosa e um abraço, nas ruas de Lisboa, nasceram os “filhos do metro”: amizades improváveis que saltaram da carruagem para a vida. Pais que, em lágrimas, agradecem a criação de um espaço onde os seus filhos se sentem, finalmente, representados. Um senhor no Texas que, a enfrentar um tratamento oncológico, encontrou nos vídeos de Tomás o fôlego para resistir.

Numa época em que o discurso de ódio recupera terreno e numa sociedade onde as pessoas queer ainda enfrentam o silenciamento e a exclusão, o seu trabalho surge como um farol de humanidade. O impacto que deseja imprimir nas novas gerações é claro e urgente: Ensinar que a singularidade não é um erro a corrigir, mas uma riqueza a celebrar. Este perfil revela um artista que não busca apenas o sucesso, mas a construção de um futuro onde a liberdade não seja um privilégio, mas um direito universal. Um futuro onde existir com verdade seja, finalmente, suficiente.
A seguir:
Instagram: @diasdechuvaseca
TikTok: @shuthupthomy


