O cantor, compositor, poeta e ator, Cazuza (1958 – 1990), que morreu, muito fragilizado, com apenas 32 anos, devido a um choque séptico decorrente da SIDA, e Ney Matogrosso (n. 1941), cantor, compositor, dançarino e actor, conheceram-se no ano de 1979, na praia.
“Conheci o Cazuza, de vista, quando ele tinha 17 anos, na praia, no Rio. Nossa história só rolou quando ele tinha 21”, conta Ney Matogrosso.
A voz de “Exagerado” tinha 21 anos de idade, quando o relacionamento entre os dois teve início, enquanto Ney, já conhecido nacionalmente por pertencer à banda “Secos e Molhados”, era 17 anos mais velho.
Tanto tempo decorrido, Ney Matogrosso, aos 82 anos de idade, recordou, ainda emocionado, no Folio — Festival Literário Internacional de Óbidos, (in Isabel Coutinho, Público, 23/10/2023):
“Vi um dia aquele menino na praia — bonitinho, mas ordinário — e alguém me disse: ‘É filho do João Araújo [empresário e produtor musical, responsável pelo surgimento de vários artistas de renome no cenário da música popular brasileira], não se mete com ele.’ Eu disse: ‘Não estou me metendo, ele é que está se engraçando comigo’.” Passado um tempo [quatro anos], uma amiga levou Cazuza a casa de Ney. “Aí rolou baseado [fumaram charros]. ‘Você me dá um beijo?’ Dar um beijo, a gente dá em qualquer pessoa, e eu disse: ‘Dou.’ Menina, quando ele me beijou, o mundo desapareceu ao redor”.
Uma paixão intensíssima, todavia, muito conturbada, devido ao envolvimento de Cazuza com as drogas.
“A gota de água foi que, após sumir por alguns dias, Cazuza reapareceu com outro cara, um traficante — e nós discutimos. Eu disse que não queria ele sujo, fedorento, acompanhado de um traficante em minha casa. Cazuza cuspiu em mim e eu bati na cara dele, o expulsei, e a história de amor acabou. Mas uma semana depois fizemos as pazes e estávamos entrando de mãos dadas num restaurante, como velhos amigos”, revelou Ney, numa outra ocasião.
Durante o programa “Conversa com Bial”, da TV Globo, Ney declarou que Cazuza foi o seu verdadeiro amor. O seu amor por Cazuza, apesar de ter tido outras relações com outros homens, umas mais curtas outras mais longas, umas mais fortes outras menos, “permaneceu e permanece até hoje”.
Por ainda existir amor entre ambos, os dois mantiveram-se próximos até ao falecimento de Cazuza: “Fiquei junto com ele até o fim da vida dele, eu ia lá para massagear os pés dele. E acho que a esses sentimentos a morte não dá fim”, viria a confessar Ney.
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