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“Lúcido”: O sonho português que desperta em Cannes



“Lúcido”, a experiência de realidade virtual realizada por Vier, é um dos filmes que estreará este mês na 79.ª edição do Festival de Cannes. Fazendo parte da Competição Imersiva, a narrativa interactiva em realidade virtual acompanha a história de Gil, um jovem que aprende a controlar os seus sonhos com a ajuda do namorado.

A obra tem a produção da cooperativa COLA Animation, de Bruno Caetano e Susana António, e baseia-se no conceito do sonho lúcido (um estado em que o sonhador está consciente de que está a sonhar) para contar uma história sobre escapismo e perda.

Um dos principais destaques de Lúcido é a activa participação do público: Os participantes podem controlar o corpo do protagonista apenas durante os momentos de lucidez e, à medida que esta diminui, o controlo é perdido e o participante torna-se observador. Esta dinâmica espelha o estado interno do protagonista, com o aumento da lucidez a conceder um maior controlo sobre a paisagem onírica, incluindo a capacidade de voar e desenhar estruturas vastas e impossíveis no céu. “Lúcido” alterna entre a exploração dos sonhos e fragmentos da vida quotidiana de uma família queer, onde a criação de espaços seguros para a expressão queer dentro de famílias escolhidas encontra um paralelo na construção consciente de mundos dentro dos sonhos lúcidos.

Esta narrativa conecta-se directamente com a prática artística do realizador e artista multidisciplinar Vier, que trabalha com luz, sombra e espaço negativo para pintar imagens que podem ser interpretadas de duas formas distintas. A experiência conta também com uma banda sonora original do músico Filipe Raposo e vozes dos actores Tadeu Faustino e Rafael Gomes, na versão portuguesa.

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