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As vozes portuguesas que condenam o ataque homofóbico na Marcha do Orgulho em Berlim (e as que o celebram)



Várias organizações e figuras públicas já se manifestaram sobre o atropelamento na Marcha do Orgulho LGBTQIA+ em Berlim, no dia 25 de Julho, que provocou uma morte e vários feridos.

Desde o ataque, o público geral tem expressado visões díspares nas redes sociais. Às expressões de solidariedade com as vítimas e a família, têm contrastado outras em tom de chacota ou mesmo celebração, nomeadamente perguntando se a carrinha está bem ou glorificando o autor do ataque.

O actor Rui Maria Pego expressou solidariedade com as vítimas e as famílias e censurou as reações de indiferença ou chacota nas redes sociais. Como afirma, “[A indiferença à morte destas pessoas] é o grande desígnio do populismo e do discurso de ódio ─ capturar os mal-amados, os esquecidos e dar-lhes a sensação de que é agora que vai chegar o Poder. Não vai. É tudo mentira.”

Paula Martín da Silva, num post conjunto com As Cores dos Açores e Opus Diversidades, alerta igualmente para o ódio espalhado nos comentários (“cada comentário desumanizante abre espaço para que a violência deixe de parecer impensável”).

Exprime igualmente solidariedade com toda a comunidade, alvo de cada vez mais ataques motivados pelo ódio: “Quando um ataque acontece num evento LGBTQIA+, não é apenas um atentado contra as pessoas presentes. É uma tentativa de intimidar toda uma comunidade. É uma mensagem de ódio que pretende dizer: «não pertencem aqui».”

A dimensão dos comentários de ódio nas publicações sobre o ataque está bem visível na publicação feita por Paulo Petinga (@petingao), tanto a desumanizar as vítimas e a população LGBTQIA+ em geral, como a utilizar o ocorrido como pretexto para promover a islamofobia.

O educador Gonçalo de Oliveira (@paiparatodaaobra), o activista Pedro Carreira (@pedrojdoc.bsky.social) e o actor Filipe Vargas (@filipevargas) condenaram também os comentários a celebrar o ataque e expressaram apoio às vítimas.

Alguns partidos e figuras políticas também já se manifestaram publicamente sobre o ocorrido.

António Costa, Presidente do Conselho Europeu, partilhou no X a mensagem de solidariedade: “Os meus pensamentos estão com as vítimas do atentado à parada do Christopher Street Day, em Berlim. Trata-se de um ataque aos valores que caracterizam a nossa União. A União Europeia condena veementemente qualquer forma de ódio, extremismo e violência.”

João Costa, ex-Ministro da Educação, em artigo de opinião no Expresso (“Nas caixas de comentários, há portugueses “de bem” que adoram quando morrem pessoas”), partilhou indignação com os comentários que celebravam as mortes e os que aproveitaram o ocorrido para difundir um discurso xenófobo assim que se soube a origem do agressor. Criticou ainda a inação do Parlamento e das próprias redações perante este tipo de discurso de ódio.

O partido LIVRE manifestou igualmente uma mensagem de esperança e união, afirmando o seu compromisso com a defesa dos direitos LGBTQIA+.

Fabian Figueiredo, deputado na Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda, deixou as suas condolências e uma mensagem de luta contra o ódio: “O orgulho nasceu a enfrentar o ódio e o medo. Não será agora que recua.”

https://www.facebook.com/photo/?fbid=10164446041977310

O Bloco de Esquerda partilhou uma mensagem do deputado Fabian Figueiredo na sua página oficial.

A Juventude Socialista partilhou uma mensagem de solidariedade e de luta pela dignidade humana.

Fica por fim a nossa solidariedade para com as vítimas, as suas famílias e amigos, e para com toda a comunidade LGBTQIA+. Num momento em que o discurso de ódio nas redes sociais continua a normalizar a violência contra pessoas LGBTQIA+, relembramos a importância de denunciar à Meta perfis falsos, homofóbicos ou que incitem ao crime: uma forma simples, mas eficaz, de contribuir para tornar as redes sociais um espaço menos hostil.

Um Comentário

  • Vitor Grade

    É curioso verificar como tantos anos de artigos sobre “islamofobia”, “xenofobia” e “discursos de ódio” raramente são acompanhados por uma reflexão igualmente séria sobre o fundamentalismo islâmico que, repetidamente, tem como alvo eventos LGBTI+ na Europa.

    Se queremos defender os direitos das pessoas LGBT, temos também de reconhecer que existem correntes do islamismo radical profundamente incompatíveis com esses mesmos direitos. Ignorar esse facto, por receio de alimentar estigmas contra comunidades inteiras, não protege ninguém. Pelo contrário, impede-nos de discutir de forma séria e honesta os riscos do extremismo religioso e as políticas de integração e de segurança necessárias para o combater.

    Combater preconceitos é uma obrigação de qualquer sociedade democrática. Fechar os olhos ao extremismo, seja qual for a sua origem, nunca poderá ser a solução.

    É igualmente preocupante que algumas figuras públicas, como demonstram os comentários que podemos ler, pareçam mais preocupadas em relativizar ou desviar a atenção deste problema do que em enfrentar a realidade do extremismo islamista e das suas consequências para as liberdades fundamentais. Defender os direitos humanos implica proteger todas as pessoas da violência e do fanatismo, sem exceções.

    Importa ainda reconhecer que algumas correntes ideológicas e determinadas interpretações religiosas defendem valores incompatíveis com princípios fundamentais das democracias liberais, como a igualdade entre homens e mulheres, a liberdade religiosa, a liberdade de expressão e os direitos das pessoas LGBT. Identificar essa incompatibilidade não constitui um ataque a uma religião ou a uma comunidade; é uma constatação sobre ideias e práticas concretas. Se uma sociedade democrática abdicar de afirmar e defender os seus próprios valores fundamentais, corre o risco de ver essas conquistas gradualmente enfraquecidas.

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