A nova longa-metragem de Ruben Alves parte dos Casamentos de Santo António para falar de pertença, família, diversidade e das diferentes formas de viver o amor.
O dezanove.pt esteve no visionamento de imprensa de Santo António, O Casamenteiro de Lisboa, a nova longa-metragem de Ruben Alves, realizador de A Gaiola Dourada. Desta vez, o ponto de partida é uma das tradições mais conhecidas de Lisboa: os Casamentos de Santo António.
À primeira vista, o filme apresenta-se como uma comédia romântica. Mas, por detrás do humor e das situações que envolvem os protagonistas, Ruben Alves constrói uma reflexão sobre o que acontece quando uma tradição se confronta com uma sociedade que já não é a mesma de quando essa tradição ganhou forma.
A ameaça que paira sobre os Casamentos de Santo António serve de ponto de partida para discutir questões como o medo da mudança, os conflitos entre gerações e a dificuldade em conciliar a preservação de uma identidade colectiva com as transformações da sociedade.
É também aí que o filme ganha particular interesse para o público do dezanove.pt. A Lisboa que aparece no ecrã é uma cidade mais plural, onde as ideias de casal, família e afecto já não cabem necessariamente num único modelo. A tradição é colocada perante essa diversidade e perante a necessidade de continuar a representar as pessoas que hoje fazem parte da cidade.
O filme não trata a mudança como uma ameaça absoluta, nem a tradição como algo que deva ser preservado a qualquer custo. A questão parece ser outra: saber se uma tradição consegue manter-se viva sem deixar de acompanhar o tempo em que existe.
Rita Blanco e Joaquim Monchique assumem papéis centrais num elenco de ouro, que equilibra comédia e emoção, enquanto Ruben Alves mantém o sagaz olhar sobre a sociedade portuguesa que já tinha demonstrado em A Gaiola Dourada. Há aqui uma Lisboa reconhecível, feita de memórias, expectativas, conflitos familiares e diferentes maneiras de imaginar o futuro.
Sem revelar momentos essenciais da narrativa, o desfecho reforça precisamente essa ideia: uma tradição não precisa de permanecer exactamente igual para continuar a ser uma tradição. Pode mudar, adaptar-se e incluir novas pessoas sem perder necessariamente aquilo que lhe dá sentido.

Santo António, O Casamenteiro de Lisboa acaba, assim, por ser mais do que uma comédia sobre casamentos. É um filme sobre pertença, comunidade e sobre a forma como uma cidade pode preservar as suas tradições enquanto aprende a acolher novas formas de amar, de constituir família e de viver em conjunto.
Uma história sobre o desafio de fazer caber o passado na Lisboa que somos hoje.
Estreia nas salas de cinema a 10 de Setembro.


